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Um outro mundo é possível
O Prêmio Nobel de Economia conferido por primeira vez a uma mulher, Elinor Ostrom, da universidade americana de Indiana, é extremamente positivo e otimista para quem acredita que um outro mundo é possível senão apenas aquele com governos de um lado e empresas de outro. O caminho do meio parece estar vindo para amenizar todos os males deste dualismo de ora livre mercado, ora intervencionismo governamental. Em seus estudos Ostrom demonstra como grupos de pessoas conseguem explorar recursos naturais de forma sustentável, mesmo sem regulação do governo ou privatização. Sua pesquisa desafiou o conceito da "tragédia dos comuns" - segundo a qual bens comuns e o meio ambiente são destruídos porque os indivíduos levam em conta apenas os próprios interesses, sem considerar efeitos negativos de suas ações sobre os outros. Recentemente, Bento Gonçalves viveu duas situações neste sentido. Houvesse desde o princípio uma terceira via no Vale dos Vinhedos – a da integração comunitária - não se chegaria sequer a possibilidade de transformar parte da região em loteamento. Por outro lado, uma comunidade integrada não teve a mesma sorte, pois lamentavelmente o presídio vai ser mesmo construído nos Caminhos de Pedra, pouco importando a questão ambiental, social e cultural. Para isto acontecer, é necessário investir em educação e na formação dos indivíduos de modo a trabalhar juntos, pois desta forma podem construir confiança e respeito e solucionar problemas. “Há muito conhecimento local que deve ser respeitado” – afirmou a pesquisadora. Na prática, a visão da pesquisadora é de desenvolvimento sustentável local ou regional de forma endógena, ou seja, feito pelas pessoas e para as pessoas da comunidade, em contraponto ao desenvolvimento hegemônico caracterizado por investimentos externos, de fora para dentro, com compromisso apenas na escala. Em entrevista Ostrom disse: “Desde que nós descobrimos que algumas vezes (quanta gentileza) os burocratas não têm as informações corretas, enquanto cidadãos e usuários dos recursos têm, nós esperamos que isso ajude a encorajar um senso de capacidade e de poder". políticas públicas, principalmente ambientais, têm mais resultados quando são baseadas na colaboração entre as partes, e não na simples imposição de regras.
Vejam o caso do zoneamento agrícola, elaborado por burocratas de Brasília, proíbe o cultivo em terrenos acidentados, simplesmente as videiras da Serra Gaúcha não existiriam se esta lei estivesse em vigor na época da colonização. Ou os índices de produtividade que querem empurrar goela abaixo, apenas por questões politiqueiras. De acordo com Paul Krugman, Nobel de Economia no ano passado, a nova economia é institucional, ou seja, combina economia, direito, sociologia, ciência política e antropologia para compreender como as instituições (indivíduos, empresas, mercado e grupos) surgem, interagem, mudam e como devem ser reformadas e reguladas.
Não é de hoje também que a Economia Comportamental está em discussão. Gary Becker (1992), George Akerlof (2001) e Daniel Kahneman (2002), já foram premiados por isto, mas a perspectiva de Ostrom é interessante por sustentar que a melhor suposição para explicar o comportamento humano não seria a referida à mera disposição à maximização de ganhos ou utilidades individuais (egoístas), mas sim a de que existem múltiplos tipos de indivíduos ou agentes. Outro mundo é possível, não só aquele de apenas uma empresa dona do mundo, mas para isto é preciso que haja participação e integração.
Escrito por Werner Schumacher às 15h09
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O Capitalismo Comunista
Maravilhoso o texto A Dona do Mundo, de Kledir Ramil, publicado na Zero Hora de hoje, quem puder que leia, mas, em suma, ele diz que as empresas irão de fusão em fusão se concentrando e quando estiver em torno de meia dúzia uma delas comprará todas as outras. Com isto, todos nós seremos empregados desta Dona do Mundo, não haverá mais a necessidade de governos, desemprego, etc., e a propriedade será exclusividade dessa grande corporação, o capitalismo perfeito, o comunista. Este não é um assunto novo, pois é amplamente tratado no livro A Corporação, de Joel Bakan, que inclusive gerou um documentário homônimo. Em suma, o mundo já é comandado pelas grandes corporações. Dizem, também, que apenas 500 pessoas detêm em torno de 80% da riqueza do mundo e, isto se confirmando, as previsões do Kledir não estará longe de vir a ser realidade. Infelizmente, esses números não impressionam, assim como o fato de mais de um bilhão de pessoas passarem fome no mundo, 11 mil crianças morrem ao dia por desnutrição (fome) e o gasto anual dos europeus com perfumes daria para aplacar a fome no mundo. Há não muito tempo também foi publicado o livro Riquistão em que o autor Robert Frank fala de existência de um outro país dentro dos Estados Unidos, aquele dos multimilionários, 10 milhões de famílias que movimentam 30% a mais do PIB americano. Este livro fecha com um “paper” de Ajay Kapur, analista que trabalhava para o Citi, em que fala da "plutonomia", uma palavra que inventou para descrever as economias movidas (e controladas) por uma elite rica, tais como as dos EUA e do Reino Unido. Nos Estados Unidos 1% da população controla quase um quarto da riqueza do país. Michael Moore deve ter lido o livro e talvez tenha de alguma forma lido o "paper", pois parece retratar Kapur como um dos "malvados" em seu mais recente filme, "Capitalism, a love story" (capitalismo, uma história de amor). Na Argentina, no mínimo 18 das 20 de suas maiores vinícolas estão nas mãos de investidores estrangeiros. Donald Hess, proprietário de 4 vinícolas (África do Sul, Argentina, Austrália e Estados Unidos) declarou em 2007, no suplemento Argentina Wine Style, que “o futuro do vinho pertence ás vinícolas boutique, desde que produzam bons vinhos, representativos de seu “terroir”, e os grandes grupos, que produzem vinhos consistentes, fáceis e agradáveis ao consumidor”. Com a compra da Almaden pelo Miolo Wine Group esta onda começa a chegar por aqui e a associação deste grupo nacional com outras empresas, a exemplo da Osborne no nordeste, nos indica que estão no caminho certo, querem ficar do lado das grandes corporações e não há nada de errado nisto, seguem a tendência do mundo dos negócios. Com o andar da carroça as melancias se acomodam, mas até chegar este momento não há outra visão de mundo senão com ceticismo, afinal, a democracia está em jogo, pelo desejo de poder econômico. A Serra Gaúcha tem vocação para vinícolas boutique, mas em um país como o nosso com custos absurdos, tributação elevada e forte burocracia, talvez condicione a existência destas pequenas propriedades a um pequeno número. Os grandes grupos – nacional ou estrangeiro – vão se localizar em outras regiões, mais aptas economicamente para a produção de vinhos fáceis e agradáveis ao consumidor, como bem diz Hess. Finalmente, quando os grandes grupos forem uma meia dúzia de dois ou três, lembraremos do Kledir, não apenas como músico, mas como vidente.
Escrito por Werner Schumacher às 16h13
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