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Economia punitiva
O pensamento racionalista está presente em todas as ciências e, consequentemente, em nossas vidas e aqueles baseados nos valores econômicos nos afetam em modo especial por serem – na maioria das vezes – punitivos e quando sob a forma de incentivo nem sempre trazem vantagens para o todo. Constatou-se que o açúcar é um dos grandes males da vida moderna pela obesidade coletiva que provoca e o vilão maior é o refrigerante. Esta bebida está sob fogo cruzado em muitos países. Nos Estados Unidos querem aumentar os impostos, na Alemanha está proibida a sua venda nas escolas e bares adjacentes aos estabelecimentos de ensino e assim por diante. O racionalismo, no entanto, geralmente busca o caminho mais simples: Como podemos diminuir o consumo de refrigerantes? Até o momento, talvez as únicas soluções sejam punir o consumidor, quer aumentando os impostos incidentes sobre a bebida ou dificultando o acesso à mesma, como nos países citados entre outros. O curioso é que as bebidas dietéticas não serão tributadas da mesma forma que as açucaradas, mesmo que não se tenha ciência total de seus efeitos colaterais, isto mais parece uma guerra de interesses escusos e quem sempre paga o pato é o consumidor. A obesidade, portanto, deve ser punida e isto faz lembrar uma crônica do Moacyr Scliar, publicada na Folha de São Paulo, em que um obeso nos seus últimos dias de vida tinha apenas como prazer comer, no entanto, a sua comunidade decidiu cobrar uma vez e meia o valor do enterro para obesos. Embora tudo depois se resuma a pó, o espaço inicial é maior e diante das dificuldades financeiras que iria deixar para a esposa, o moribundo decidiu abdicar do seu último prazer para estar elegante pelo menos na hora do enterro. É 8 ou 80, ou seja: ou se come para viver ou se vive para comer, o meio termo parece não existir, neste caso, o comer por prazer. Nem tudo está definitivamente provado, mas são tidos como valores absolutos, vejam o caso dos ovos, dizem até que o Luis Fernando Veríssimo está procurando a quem processar pelos 30 anos que ficou sem comer ovos. Para os doutos racionalistas o caminho é punir, não educar, não incentivar. Aqueles da minha geração e passadas foram criados a base de limonada e refrigerante fazia parte da alimentação apenas em festas e para alguns mais abastados no churrasco do domingo. Vê-se, portanto, que é uma questão de hábito e educação, não tributária. E já se fabricava gordos à época, ta bem da verdade, menos sedentários que os de hoje. É do conhecimento de muitos as estratégias utilizadas por um grande fabricante de refrigerantes para aumentar o consumo. Primeiro, o refrigerante era vendido em garrafas pequenas e criaram uma garrafa média, então quando alguém fazia o pedido o garçom oferecia: uma média? A resposta era sempre sim. Em seguida, vieram às garrafas de 1 litro, 2 litros e há pouco tempo de 3 litros. Em breve será vendido em barril. Tudo é um tanto quanto contraditório, por um lado se incentiva o consumo, basta ver o bombardeio publicitário, para o crescimento da empresa, para gerar mais empregos, para pagar impostos, etc. e depois de constatado o problema (não investimento na educação), a solução é punir o consumidor provocado, motivado e incentivado a beber. O modelo está equivocado, pelo excesso de racionalismo, pelo excesso de normas, pelo excesso de regulamentação das nossas vidas, como se fossemos seres concretos. O modelo vigente parece não se preocupar pela educação humana, não está preocupado com o desenvolvimento do ser humano, parece não considerar o incentivo, pois este só pode vir através da educação e do crescimento pessoal. Quando se incentiva em economia esta ação se dá normalmente de forma ambígua, pois provoca guerra fiscal, etc., em outras palavras, uns ganham outros perdem. Tudo tem que vir de fora para dentro, como o remédio para disfunção erétil, só faz crescer e não desenvolver.
Escrito por Werner Schumacher às 12h48
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