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Assassinos da natureza
É lastimável a ação do MST na fazenda da fábrica de sucos, pois cometeram – acima de tudo – um crime contra a natureza. O que os milhares de pés de laranja têm a ver com a raiva deles ou a reforma agrária? Estas laranjeiras não terão mais a felicidade de produzir a fruta e muitos litros de suco para a alegria, principalmente, das nossas crianças. É um movimento de sem terra sem alma campesina, um campesino jamais cometeria um crime destes. Isto é alma de quem desmata não só laranjeira, como também araucária, mata atlântica, etc. Não têm a terra em suas almas, como um amigo que lacrimejando me contava hoje haver perdido a produção da próxima vindima por causa da chuva de pedra. Contra São Pedro não se pode fazer nada, nem mesmo homenageá-lo, pois a terra de meu amigo está na colônia que leva o nome do santo. O MST não é São Pedro, muito menos santo. É intolerável a ação do MST, que vem sendo atendido pelos últimos governos e a grande maioria de seus assentamentos são modelos de uma incompetência sem precedentes, jamais visto na história deste país e do mundo em matéria de reforma agrária. Pior, com uma violência impune. Não sou a favor de latifúndio e de tudo o que é grande, mas vou explicar o porquê. O mundo seria melhor se tudo fosse pequeno. “Small is Beautiful” do tio Schumacher, mas isto infelizmente é muito romântico para os nossos dias. O que manda hoje no mundo são os valores econômicos, não aqueles humanos, sendo a economia de escala o que determina a concentração. Os bancos, por exemplo, um compra o outro e vão formando grupos cada vez maiores, demitem empregados, reduzem a estrutura e, consequentemente, custos, mas não baixam as tarifas, os juros, etc. A economia de escala, neste caso, só serve para eles, mas os bancos "latifundiários" não são invadidos. As montadoras, uma compra a outra, mas os preços dos automóveis vão crescendo ano após ano, ora porque é preciso air bag, ora pelo freio ABS, ora por isto, ora por aquilo, enfim, vão criando necessidades e engordando os lucros, mas as montadoras "latifundiárias" também não são invadidas, mesmo que a economia de escala sirva apenas para eles. Dizem que o exército brasileiro possui mais de 200 mil hectares de terra entre o Alegrete e Rosário do Sul aqui no Rio Grande, para treinamento. Talvez não haja mais necessidade desta área, pois com os caças e submarinos que o Brasil está comprando será barbada acabar com qualquer tentativa de ataque argentino ao nosso território. Também, parece que basta abrir as comportas de Itaipu que inundamos os portenhos. Portanto, a necessidade da área para um treinamento em escala de guerra pode ser transformada em assentamento, mas as "latifundiárias" áreas do exército não são invadidas. Dizem, ainda, que a igreja católica tem também grande área de terras, mas parece que eles fizeram acordo com o MST, apoiando o movimento e por isto são preservados. Como economista, e sob a ótica da economia de escala, estranha muito esta bronca com os latifundiários, pois parece ser a única forma de concentração que beneficia o povo, pois ela proporciona diminuição nos preços dos alimentos. Quanto maior a área plantada, mais baixo o custo e a oferta excedendo a demanda os preços caem, mas a revolta é contra os latifundiários, mesmo pequenos, pois parece não haver módulo mínimo, tanto faz o cara ter 2 mil quanto 100 mil hectares. O governo deve lembrar ainda que o modelo adotado, exportação de produtos agrícolas, para pagar a dívida externa, entre outras, foi incentivado, atraiu investidores, que demonstraram ser muito eficientes, afinal a nossa agricultura é uma das maiores e melhores do mundo hoje. O latifúndio é conseqüência e não causa, enquanto o modelo for mantido, continuaremos a ter e a aumentar o contingente de sem terra, a agricultura familiar é candidata potencial, pois é contemplada apenas com financiamento barato, em todos os sentidos da palavra, sem extensão rural, não é a toa que o Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos e, principalmente, sem educação. Sabe-se lá o que vai pra mesa do brasileiro.
Escrito por Werner Schumacher às 14h36
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