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Pobres do Brasil! Venham para o vale dos Vinhedos
A partir desta próxima 2ª feira, dia 28 de setembro, Bento Gonçalves, localizada na serra do nordeste do Rio Grande do Sul será o mais novo paraíso do Brasil, aliás, o município será reconduzido ao posto, pois, no passado, já foi considerado muitas vezes o município de maior desenvolvimento do país. O município enriqueceu, graças a pujança da sua indústria vinícola e concomitantemente com o surgimento de uma indústria mais expressiva ainda, a moveleira, bem como enorme diversificação na sua economia. Hoje, o município é reconhecido também como um dos principais pólos de desenvolvimento da indústria imobiliária, com um número sem precedentes de prédios em construção, como bem costuma dizer o Presidente Lula: “jamais visto na história deste país” e uma diversidade de loteamentos e condomínios para todos os bolsos e gostos. No entanto, Bento Gonçalves será reconhecido mundialmente por sua política de distribuição de renda e oportunidade as classes menos favorecidas, pois mais de 60% de seus vereadores, liderados pelo líder do governo municipal na câmara, elogiavelmente estão do lado dos pobres. Esta 2ª feira será um dia histórico. Neste dia a Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves vetará o veto do Prefeito contrário a criação de um loteamento popular na região turística mais badalada da cidade, o Vale dos Vinhedos. De acordo com informações divulgadas na imprensa, os lotes do loteamento Vale dos Vinhedos I – muitos outros virão – serão vendidos pela bagatela de R$ 40 mil e financiados em longo prazo para que todos os pobres, todos os sem tetos e aqueles sem terra possam comprar um terreno do loteamento. Isto colaborará, inclusive, para a reforma agrária, pois qualquer sem terra poderá comprar um lote, ter a sua horta, criar algumas galinhas e com o bolsa família sobreviver tranquilamente. Aliás, já estarão por aqui quando o índice de produtividade da terra for aprovado, praticamente todas as propriedades do Vale dos Vinhedos não produzem sequer metade do índice desejado pelo MDA, ou MST? O valor do lote é insignificante, apenas 22,2 mil dólares. Considerando que o nosso salário mínimo está em quase 300 dólares e, em breve, diante da política cambial brasileira chegará aos 500 dólares, a parte a própria desvalorização da moeda americana, a de se convir que é até barato. É de se elogiar, também, a visão política e econômica dos vereadores de Bento Gonçalves, pois a indústria vinícola da região passa por enorme crise e não há qualquer sinal de recuperação, afinal, é muito pouco competitiva mundialmente. Assim, novas indústrias poderão surgir e os moradores dos novos loteamentos, provavelmente os produtores de uva da região, poderão encontrar emprego facilmente. Surpreso com esta visão, na próxima semana estarei me reunindo com a diretoria de uma fábrica de móveis e uma incorporadora imobiliária, para criarmos o loteamento Santa Lúcia D’Itália, a fim de oferecer lotes para os operários da fábrica de móveis, que não precisarão ser mais transportados diariamente de Bento Gonçalves para Monte Belo do Sul, representando enorme economia para a empresa e uma melhora significativa na qualidade de vida de seus operários. É digno de mérito a competência dos vereadores de Bento Gonçalves, portanto, como humanista que sou, proponho para as próximas eleições a substituição da candidatura da Ministra Dilma Roussef a presidência por um dos nossos Vereadores, pois as ações do Governo Lula, em relação ao que se está fazendo na Capital Brasileira do Vinho – futuramente sem vinhedos – é fichinha. O nosso modelo, melhor dos vereadores daqui, será copiado mundialmente, dizem até que uma comissão da ONU já está agendando uma visita ao município para ver os projetos em andamento. Parabéns Bento Gonçalves, mais uma vez no topo.
Escrito por Werner Schumacher às 10h56
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Acharam o culpado, o refri é a bola da vez
Matéria de capa de revista de circulação nacional desta semana, denuncia que o açúcar é a droga da vez, simbolizado pelo refrigerante como o alvo Nº 1. Os estados de Nova York e do Maine discutiram a possibilidade de cortar seu consumo a golpes de imposto. Os EUA são os que enfrentam o problema do açúcar do refrigerante com mais rigor, mas a onda se espalha pelo mundo. A Inglaterra e a França estão proibindo a propaganda de refrigerantes na televisão e no México o refrigerante está sendo banido das escolas, já na Alemanha e na Bélgica, a proibição vale até para o comércio nas imediações das escolas. Na Irlanda, celebridades não podem fazer comerciais de refrigerantes dirigidos ao público infantil. O professor David Ludwig, de Harvard, examinou 111 artigos científicos e descobriu que 40% destes são contrários aos interesses dos fabricantes de refrigerantes, pois não receberam nenhum patrocínio da indústria. Aqueles, patrocinados, são todos, absolutamente todos, favoráveis aos refrigerantes. Isto é um claro indício que muitas informações são manipuladas, haja vista os remédios que são aprovados e depois retirados do mercado. As pesquisas encomendadas, cuidado, portanto, com a fonte da informação, desconfie sempre. Os males que o consumo de açúcar em excesso, cientificamente provado, é devastador, pois provoca uma reação em cadeia, um mal leva a outro e assim sucessivamente: que pode incluir cárie dentária, hipertensão, doenças cardiovasculares, derrame cerebral, falência renal, cegueira, doenças nervosas, amputações – e algo como seis a sete anos de vida a menos. Muitas gerações foram criadas a base de limonada e sucos caseiros e em festas e às vezes aos fins-de-semana refrigerantes. Hoje o seu consumo é diário, não raramente já começa no café da manhã. Estudos – não patrocinados – comprovam as vantagens do consumo de suco de uva natural – aquele não adoçado – e se a indústria souber aproveitar, o seu consumo poderá dobrar a cada ano, fazendo com que falte uva no mercado para atender a demanda. O setor, no entanto, precisa esclarecer com urgência o consumidor, pois muitos sucos são refrigerantes disfarçados. Os fabricantes, atentos a estas pesquisas que comprovam os males do açúcar - em excesso - estão diversificando a sua linha e oferecendo refrescos e néctares de frutas, com maiores teores de frutas, no entanto, também adicionados de açúcar. As grandes corporações de refrigerantes não esperam acontecer, fazem acontecer. A grande maioria é proprietária das principais marcas de sucos. Até refresco em pó é chamado de suco. O estado de Minas Gerais é o campeão nacional de consumo, algo como 26 litros per capita ano, enquanto aquele de suco é similar ao de vinho – meu suco preferido – 2 litros per capita. Foi sugerido um trabalho neste sentido, comparando o valor nutritivo de sucos (de verdade) em relação aos refrigerantes de frutas, refrescos, néctares, sucos reconstituídos e sucos em pó e atrelada a uma campanha de divulgação modesta com degustações, mascote, distribuição de panfletos, etc. Infelizmente, a nossa indústria não é pro - ativa como os fabricantes de refrigerantes, prefere esperar acontecer, ou que os outros o façam por eles. Menos de meio litro per capita ano seria suficiente para não ter mais uva suficiente no país para atender o mercado, nada impossível ou miraculoso, afinal cada brasileiro bebe 70 litros per capita no de refrigerante. Assim como alguem deve estar com 14 mulheres, pois estou sozinho, também alguém deve beber 140 litros per capita ano – como os americanos – de refri, porque eu raramente o faço.
Escrito por Werner Schumacher às 15h14
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Vinho branco, por que não?
Bebiam-se mais vinho no Brasil quando o consumo de brancos era maior do que o de tintos. Esta mudança se deu após a descoberta dos benefícios a saúde dos tintos e o consumidor passou a tomar mais deste, mas não na mesma proporção e, diga-se de passagem, também de roses, produto injustamente crucificado por muitos. Isto lá pela década de 80. A época, nos eventos enológicos (congressos, etc.) latino-americanos, era unânime e destacado por todos a vantagem dos brancos brasileiros sobre os congêneres dos nossos vizinhos. Produzíamos brancos leves, com boa acidez, frescos e frutados, mais afeitos, portanto, ao nosso clima e a gastronomia. Esta pode ser uma explicação para uma queda maior no consumo de vinhos brancos em nosso país. Produtos mais frescos, leves e fáceis de tomar, principalmente, quando bem frios, pra não dizer gelado. Acabo de receber de um amigo o resultado de uma degustação de vinhos da variedade Chardonnay realizada em 17 de março passado pela SBAV Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho, de São Paulo e o vinho melhor classificado, com 87 pontos em 100, foi o Dom Guerino Victória 2008, com 11,5% de álcool. Tirando alguns vinhos da safra 2005, a grande maioria era de 2008 e a graduação alcoólica variou dos 11,5%, o 1º colocado a 14%, neste caso o 5º colocado, entre oito vinhos degustados. Dois vinhos de 2005 – a melhor safra dos últimos anos – com 14% e 12% de álcool ficaram, respectivamente, em 6º e 7º lugar. Isto pode nos dizer que o teor alcoólico de um vinho pode ser um engodo, afinal, um produto mais leve sempre será mais refrescante que um mais alcoólico e, portanto, mais propício ao nosso clima, também, por ser mais fácil de beber, em tese melhor. Também, pode nos indicar que não encontramos ainda, provavelmente, a “receita” para produzir brancos mais encorpados, fermentado ou passado por barricas de carvalho, como ocorre com os congêneres de nossos vizinhos. Talvez não seja, ainda, a nossa vocação a produção destes estilos de vinhos. Tudo parece indicar que cometemos um engano ao abandonar em parte o estilo de vinhos que produzíamos nos anos 80, para buscar produtos mais encorpados, com ou sem barrica. A degustação acima pode ser um indício. Outro problema sério, é a dificuldade em encontrar vinhos brancos nos supermercados da região da Serra Gaúcha, seja pelo aspecto de variedade de produtos e castas, como de safra. Estamos já na primavera e raramente se encontra um vinho branco da safra 2009, mais jovem e fresco. Até brancos da safra de 2004 são encontrados nas gôndolas. Isto mostra um problema de pós venda das vinícolas locais. Parecem não estar preocupadas com o que os consumidores vão encontrar, depois não entendem porque perdem mercado. Foi difícil ajudar duas turistas sábado último, em um supermercado de Bento Gonçalves, a encontrar um bom branco para levarem. Uma delas, inclusive, estava com uma garrafa do vinho verde Casal Garcia no carrinho. Enfim, para solucionar o problema, esta acabou levando um espumante Brut e uma garrafa de um Tannat 2005 e a outra levou o mesmo Tannat e o mesmo varietal de outra empresa e safra. Neste sábado não estava calor, mas sentia sede e acabei pegando duas garrafas do Casal Garcia, safra 2008, os estrangeiros parecem estar mais atentos, mesmo porque a safra deles é em agosto/setembro e não em janeiro como nós. Não buscava nenhum comprometimento gastronômico, apenas bons fiambres, queijos e um bom pão, aliado a vontade de beber, para compensar as seis horas ininterruptas de poda, acabei consumindo as duas garrafas. Vejam bem, 10% de álcool. Fica aqui um alerta aos nossos cantineiros, talvez o caminho não seja imitar os vizinhos e pensar em produtos mais apropriados para o nosso clima, mais descolados para a beira da praia ou ao por do sol do Guaíba, afinal, nossos espumantes parecem dizer isto.
Por que não?
Escrito por Werner Schumacher às 19h38
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