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Blog de Werner Schumacher


Vinho, com dedo brasileiro, é “parkerizado”

O vinho L’Arco Amarone della Valpolicella 2003 recebeu 91 pontos de Robert Parker. De acordo com Parker, trata-se de um vinho com aromas de amoras silvestres e especiarias, de corpo médio, dentro dos mais modernos estilos de vinhos, cuja complexidade incorpora tanto o tradicional como o moderno da Valpolicella. É a primeira vez que Parker degusta um vinho L’Arco, produzido por Luca Fedrigo.

 

Para os que não sabem, Luiz Alberto Barichello é proprietário da Villa Bari, localizada entre a Vila Nova e Belém Velho em Porto Alegre, com belíssimos vinhedos nas colinas da região, estabeleceu uma “joint-venture” com Fedrigo para a elaboração dos vinhos L’Arco.

 

O motivo da minha satisfação não é o fato de que formamos a dupla Schumacher-Barichello do vinho brasileiro, mas por recordar uma bela experiência que tive com um Amarone L’Arco que o Luiz me presenteou. Sinceramente, não recordo a safra, ato falho para quem escreve sobre vinhos, mas voltando para casa fui jantar no Canta Maria, tradicional restaurante de grelhados de Bento Gonçalves, aliás, um dos locais que mais vende o Villa Bari.

 

Pedi ao Paulo Geremia, proprietário do restaurante, se podia abrir aquela garrafa de vinho para provar, que naturalmente fui atendido. A primeira impressão que tive não foi das melhores, pouco aroma, mas o vinho parecia fechado e o deixei de lado, pelas dúvidas, apenas pedi para decantá-lo.

 

Diante do valor que o L’Arco poderia ser vendido em um restaurante e, na época, não tinha nenhum vinho brasileiro que pudesse chegar a esse valor, pedi o vinho chileno mais caro que tinha na carta do Canta Maria, ainda assim, mais barato que o provável preço do Amarone della Valpolicella.

 

Uma explosão de aromas surgiu quando o garçom abriu o vinho chileno. Comentei com a minha mulher: isto é covardia, o que está pensando o Luiz? Como pretende vender este vinho no mercado brasileiro?

 

Bem seguimos o jantar acompanhado com o vinho chileno, mas paramos de comer antes de terminar a garrafa e este vinho começou a ficar pesado, a puxar, enfim, tornou-se difícil de beber. Pedi então uma porção do queijo do Randon, melhor que chamar tipo Grana-Padano e então conseguimos terminar a garrafa do chileno.

 

Sem mais pretensão de beber, peguei a taça com o que tinha ficado do L’Arco e qual não foi a minha surpresa ao perceber um aroma complexo, desenvolvido, que lembrava ameixas pretas e de uma delicadeza impressionante. Provei o vinho e ele descia aveludadamente, “aterciopelado”, como gostam de dizer os argentinos.

 

Com o L’Arco ficou reforçada a necessidade que alguns vinhos tem de ser decantados e que fique claro, não há verdade absoluta neste sentido, algumas meias verdades, mas neste caso funcionou maravilhosamente bem.

 

O L’Arco não é um vinho, portanto, de se comprar e ir abrindo a garrafa. Depois, ficou claro que alguns vinhos e, a grande maioria dos vinhos cheios de corpo, são fáceis de beber durante a refeição, afora isto, têm que ser mastigados, como uma costela dura, para descer. Por outro lado, vinhos como o L’Arco descem facilmente.

 

Lembro de uma visita que eu e Danio Braga, pra quem não sabe: é presidente nacional da ABS Associação Brasileira de Sommeliers e proprietário da Locanda Della Mimosa, um dos melhores restaurantes o mundo, fizemos ao Luiz em sua bela propriedade na Vila Nova.

 

Conversando sobre vinhos e degustando os Villa Bari, produzidos pelo Luiz, Danio comentou que um vinho, por mais complexo que seja, precisa de um equilíbrio que o torne fácil de beber. Foi uma conversa muito proveitosa, mas a surpresa estava por vir, foi quando o Luiz abriu uma garrafa de um Amarone della Valpolicella e, diante daquele vinho, disse a eles: posso morrer amanhã, pois nunca havia bebido algo igual.

 

Momentos assim me enchem tanto de alegria, que a vida não faria mais falta se acabasse naquele momento, tal a plenitude do gozo, do prazer. O Luiz me proporcionou esta sensação ao provar o mais famoso Amarone della Valpolicella, nada mais, nada menos, que um Quintarelli, uma das mais puras tradições da região.

 

Fedrigo é um enólogo discípulo de Quintarelli. Antes mesmo de saber o que era um Quintarelli, recordo ter visto este nome numa carta de um mais que centenário restaurante de Milão, a Eu 500, valor raro de ver para um vinho italiano.

 

Graças a Deus, uma dessas sensações de plenitude, a posso sentir com freqüência, é a de ouvir Sema cantar Summertime no último reduto da boemia porto-alegrense, o bar Odeon, mais ainda, acompanhada pelo grandíssimo Plauto Cruz, um dos maiores flautistas que o mundo já viu e ouviu, além da pianista Dionara Schneider e o saxofonista Mário. Não há interpretação igual, nem Billie Holiday. Tino, viva muito para que o Odeon se perpetue!

 

Mas o Luiz não para e, não faz muito, comprou uma propriedade na Toscana, a 35 km de Florença, com vinhedos para a elaboração de Chiati DOC, pasmem, mais em conta que os mais caros lotes do Vale dos Vinhedos. Em breve, quem sabe estaremos provando um Chianti parkerizado, desta feita, não só com o dedo, a mão e algo mais de um brasileiro. Oxalá, os Villa Bari, que recentemente foi campeão numa degustação a cegas no Rio, também chegue lá.



Escrito por Werner Schumacher às 13h11
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A (in)competência do setor vitivinícola nacional

 

Quando se sabe o que se deve fazer e não se faz, ou isto é por burrice, ou para defender os interesses de alguns.

 

Visão 2025 - O setor vitivinícola brasileiro investiu muito tempo e uma verdadeira fortuna para o desenvolvimento de um plano estratégico, que ficou conhecido como Visão 2025. Há mais de dois anos, pelo menos, este plano está engavetado, mas se continua a solicitar verbas do Fundovitis para o mesmo, o que faz lembrar os atos secretos do Senado.

O Visão 2025 nos mostrou o muito que se deveria fazer para tornar o setor competitivo globalmente e, preferentemente, no mercado interno, o quintal da nossa casa, já que as nossas possibilidades externas são limitadas. A análise “Swot” do setor bem demonstra isto. Há um grande hiato entre a teoria e a prática, mas um plano estratégico é uma formidável ferramenta de desenvolvimento econômico e social.

 

Pesquisa - Em Bento Gonçalves está localizado o Centro Nacional de Pesquisa de Uva e Vinho da Embrapa, é um dos mais belos centros e raros são aqueles que tem estrutura similar no mundo, mas este centro está ocioso porque o setor não entendeu ainda a importância da pesquisa para o seu desenvolvimento e pouco o procura para estabelecer parcerias visando a busca de soluções.

Isto é típico de países subdesenvolvidos com baixo nível educacional, mas o Brasil não é mais um país subdesenvolvido, mesmo que tenha algumas características como tal e o próprio desinteresse pela pesquisa é uma clara demonstração disto.

A cada tonelada de uva recebida por uma vinícola australiana, esta é obrigada a doar um dólar australiano para o seu instituto de pesquisa e o governo faz o mesmo, assim, eles tem todos os anos mais de dois milhões de dólares australianos para pesquisa e por isto produzem um dos melhores vinhos do mundo hoje.

Se adotássemos o mesmo critério, teríamos mais de um milhão de reais para pesquisa, isto pensando apenas no vinho, ou seja, sem computar a uva de mesa, mas aqui parece não haver problemas como na Austrália.

 

Formação Profissional - Também, em Bento Gonçalves, está localizado o Instituto Federal do Rio Grande do Sul, com curso técnico e superior de enologia e viticultura, inclusive, com especializações, mas igualmente é pouco utilizado pelo setor, justo aquele que forma os seus recursos humanos. Para não dizer que varredor é obrigado a ter 2º grau para trabalhar, por exemplo, na AMBEV, operador de empilhadeira sim, no entanto, aqui equipamentos muitas vezes mais caros que uma empilhadeira são operados por semi-analfabetos e assim por diante.

Em um mercado globalizado e competitivo como o que vivemos não se consegue sobreviver sem forte investimento em recursos humanos, a menos que este mercado esteja blindado a competitividade, o que não parece ser o nosso caso.

 

Agricultura Familiar - A produção de uvas na Serra Gaúcha se caracteriza pela agricultura familiar e por pequenas propriedades, sendo que em média cada família tem dois hectares de vinhedos e com esta área, seja com cabernet ou isabel, é impossível ter renda suficiente para sustentar uma família.

O desemprego no setor é invisível, isto é, a indústria não precisa demitir, pois mesmo com o avanço dos importados as vendas destas são suficientes para manter um quadro enxuto. Filhos de agricultores estão procurando emprego na cidade, pois a terra não é mais suficiente para o  ganha-pão da família, em outras palavras: o desemprego se dá no campo e, portanto, não visível aos olhos da economia local.

Não há um estudo sócio-econômico que viabilize estas propriedades, aliás, envelhecida, daí a enorme quantidade das que estão a venda e a médio prazo assistiremos provavelmente falta de uva no setor. Um setor que não se preocupa com a sua fonte de matéria-prima não demonstra ser muito competente.

 

Política Econômica (Tributação, Câmbio, etc.) - A carga tributária sobre o vinho brasileiro é uma das mais altas do mundo, senão a maior, gira em torno a 52%, enquanto nos principais países produtores de vinhos do mundo está entre 16 e 20%. Recente estudo aponta que a cotação do Real em relação ao dólar americano deveria ser, no mínimo, o dobro da atual cotação e isto determina o avanço dos importados. Os custos trabalhistas brasileiro e a burocracia instalada neste país são forte ônus para as nossas empresas. Tudo isto e mais um pouco forma aquilo que costumamos chamar de CUSTO BRASIL, que torna pouco competitiva a nossa indústria.

 

Controle Fiscal - Os males do setor parecem não se encontrar – entre outras - nas causas acima, pois eles são fruto da conseqüência do avanço dos importados, do descaminho ou contrabando, da sonegação e da falsificação de produtos. Portanto, eticamente, o “setor” vitivinicola brasileiro solicitou ao governo a adoção do Selo de Controle Fiscal para moralizar o mercado, vejam bem, o mercado.

 

Presidente Lula: Quando na história deste país (e do mundo) o mercado foi moral e ético?

 

A adoção do Selo de Controle Fiscal, entre outras burocracias que estão por vir, poderá resultar na quebra de muitos empreendimentos da agricultura familiar. Seguramente, mais de 500 das 750 (ou 1120) vinícolas do Estado são produtoras de uvas e vinhos, tudo isto porque o custo operacional do uso deste controle poderá chegar até mesmo ao valor do preço mínimo da uva. Vinho é produzido com uva ou Selo Fiscal. A multiplicação deste custo pela própria tributação no mercado, substituições tributárias e tudo mais, tornará o vinho selado pouco competitivo no mercado, abrindo mais ainda espaço para os “DENOREX” (sangria, coquetel, etc.).

 

A maioria dos produtores será penalizada em favor de poucos, não mais de 20 empresas, que realmente tem a maior fatia do mercado, mais de 80%. Isto é motivo de orgulho para qualquer economista neoliberal ver que em um país governado pelo Partido dos Trabalhadores as leis econômicas de mercado são as que valem, pois elas – “aparentemente” – favorecem 20.000 famílias.

 

Ledo engano e assim continuará enquanto a guerra for contra as conseqüências e não contra as causas que realmente provocam os problemas.



Escrito por Werner Schumacher às 18h33
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Como agradar gregos e troianos com câmbio valorizado?

Pelo menos, nos últimos sessenta dias, assistimos uma calorosa discussão sobre a taxa de câmbio apreciada. Cada um argumenta favoravelmente ou não de acordo com os seus interesses e, de um modo geral, todos parecem ter razão.

 

O consumidor está contente, pois os produtos importados estão cotados abaixo dos similares nacionais, bem como, seu salário engordou, afinal, quando alguém imaginou o salário-mínimo por volta dos 300 dólares. Há não muito tempo era meta de qualquer governo fazer este valer 100 dólares. O poder aquisitivo aumentou, inflou na verdade.

 

Isto favorece a importação de vinhos. Na virada de 2008 pra 2009 o dólar estava cotado em R$ 2,34 e para a próxima se estima que fique em R$ 1,70, ou seja, uma garrafa de vinho que no fim do ano passado custasse R$ 15,00, este fim de ano irá valer R$ 10,90 e isto significa dizer que ela está 27,3% mais em conta. Na prática talvez isto não ocorra, pois dificilmente o importador concederá descontos, para ele o que vale é o custo e não a cotação do dólar.

 

Com o dólar em queda livre mundialmente, os preços só são atualizados e, olhe lá, quando de uma nova importação. Como explicar que vinhos vendidos mundialmente a US$ 6,00 a garrafa, aqui são vendidos pelo triplo deste valor. A alta carga tributária é uma explicação, mas não o suficiente para justificar a triplicação.

 

Quem parece estar ganhando é apenas o importador e o consumidor iludido.

 

O setor vinícola brasileiro também poderia tirar vantagens desta apreciação do dólar, já que esta serve para investimentos, isto é, importação de equipamentos, mudas para novos vinhedos, etc. No entanto, é sabida a descapitalização de praticamente todas as empresas brasileiras, com raríssimas exceções, também a falta de financiamentos com prazos, carências e juros competitivos globalmente, além da inexistência de incentivos fiscais.

 

Recordo uma entrevista do dono da churrascaria Fogo de Chão, contava do primeiro financiamento que recebeu nos Estados Unidos: “20 anos para pagar e como garantia a sua real experiência no ramo além de juros de 6% ao ano”. Já a família Pulenta, ex-proprietária da Trapiche/Peñaflor, investiu na implantação de 4 mil hectares de vinhedos em San Juan, Argentina, através da isenção de ICMS, uma espécie de Fundopen de lá. Poder-se-ia enumerar muitos outros exemplos no exterior, que bem demonstram vantagens competitivas.

 

Por outro lado, nossa vitivinicultura precisa urgentemente de uma reestruturação para se tornar mais competitiva, mas carece de investimentos em pesquisa, de educação e formação via extensão rural, bem como, dar condições à agricultura familiar para que esta seja viável economicamente.

 

Em outras palavras, para que um setor seja competitivo globalmente se faz necessário que haja igualdade de competição e isto significa que as normas ou condições de negócios dos países sejam, no mínimo, equilibradas, caso contrário será uma concorrência desleal.

 

Para alguns estas argumentações são próprias de alguém ligado ao setor vinícola nacional, que está puxando a brasa para o seu assado, mas não é difícil de ver que o dólar baixo interessa ao governo, pois o salário-mínimo vale mais e isto interessa politicamente em anos eleitorais, mais, se o dólar estivesse cotado a R$ 1,00 a nossa economia seria a 5ª do mundo e isto infla o ego de qualquer presidente e de seu povo.

 

O setor vinícola brasileiro precisa fazer a sua parte e está se esforçando para isto, alguns resultados são dignos de mérito, mas é preciso que lhe seja dado igualdade de condições para competir, isto feito e se continuarmos a chorar, qualquer que seja o dólar, a tributação, ou o que for, só protecionismo mesmo ao estilo de pinos e tomadas exclusivas para o mercado brasileiro, então veremos garrafas, rolhas, rótulos, etc. exclusivos, sem os quais os vinhos não entrariam no nosso mercado, quem sabe empresas estrangeiras viriam investir aqui para melhor aproveitá-lo.

 

Como podem ver, é difícil agradar gregos e troianos, parece ser difícil encontrar o caminho do meio por consenso, mesmo porque o desenvolvimento de uma nação não é visto regionalmente. Várias regiões do país poderiam ser beneficiadas com uma política vitivinícola, mas isto é outra história.



Escrito por Werner Schumacher às 13h39
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Um outro mundo é possível

O Prêmio Nobel de Economia conferido por primeira vez a uma mulher, Elinor Ostrom, da universidade americana de Indiana, é extremamente positivo e otimista para quem acredita que um outro mundo é possível senão apenas aquele com governos de um lado e empresas de outro.

 

O caminho do meio parece estar vindo para amenizar todos os males deste dualismo de ora livre mercado, ora intervencionismo governamental. Em seus estudos Ostrom demonstra como grupos de pessoas conseguem explorar recursos naturais de forma sustentável, mesmo sem regulação do governo ou privatização.

 

Sua pesquisa desafiou o conceito da "tragédia dos comuns" - segundo a qual bens comuns e o meio ambiente são destruídos porque os indivíduos levam em conta apenas os próprios interesses, sem considerar efeitos negativos de suas ações sobre os outros.

 

Recentemente, Bento Gonçalves viveu duas situações neste sentido. Houvesse desde o princípio uma terceira via no Vale dos Vinhedos – a da integração comunitária - não se chegaria sequer a possibilidade de transformar parte da região em loteamento. Por outro lado, uma comunidade integrada não teve a mesma sorte, pois lamentavelmente o presídio vai ser mesmo construído nos Caminhos de Pedra, pouco importando a questão ambiental, social e cultural.

 

Para isto acontecer, é necessário investir em educação e na formação dos indivíduos de modo a trabalhar juntos, pois desta forma podem construir confiança e respeito e solucionar problemas. “Há muito conhecimento local que deve ser respeitado” – afirmou a pesquisadora.

 

Na prática, a visão da pesquisadora é de desenvolvimento sustentável local ou regional de forma endógena, ou seja, feito pelas pessoas e para as pessoas da comunidade, em contraponto ao desenvolvimento hegemônico caracterizado por investimentos externos, de fora para dentro, com compromisso apenas na escala.


Em entrevista Ostrom disse: “Desde que nós descobrimos que algumas vezes (quanta gentileza) os burocratas não têm as informações corretas, enquanto cidadãos e usuários dos recursos têm, nós esperamos que isso ajude a encorajar um senso de capacidade e de poder". políticas públicas, principalmente ambientais, têm mais resultados quando são baseadas na colaboração entre as partes, e não na simples imposição de regras.

 

Vejam o caso do zoneamento agrícola, elaborado por burocratas de Brasília, proíbe o cultivo em terrenos acidentados, simplesmente as videiras da Serra Gaúcha não existiriam se esta lei estivesse em vigor na época da colonização. Ou os índices de produtividade que querem empurrar goela abaixo, apenas por questões politiqueiras.

 

De acordo com Paul Krugman, Nobel de Economia no ano passado, a nova economia é institucional, ou seja, combina economia, direito, sociologia, ciência política e antropologia para compreender como as instituições (indivíduos, empresas, mercado e grupos) surgem, interagem, mudam e como devem ser reformadas e reguladas.

Não é de hoje também que a Economia Comportamental está em discussão. Gary Becker (1992), George Akerlof (2001) e Daniel Kahneman (2002), já foram premiados por isto, mas a perspectiva de Ostrom é interessante por sustentar que a melhor suposição para explicar o comportamento humano não seria a referida à mera disposição à maximização de ganhos ou utilidades individuais (egoístas), mas sim a de que existem múltiplos tipos de indivíduos ou agentes.

 

Outro mundo é possível, não só aquele de apenas uma empresa dona do mundo, mas para isto é preciso que haja participação e integração.



Escrito por Werner Schumacher às 15h09
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O Capitalismo Comunista

Maravilhoso o texto A Dona do Mundo, de Kledir Ramil, publicado na Zero Hora de hoje, quem puder que leia, mas, em suma, ele diz que as empresas irão de fusão em fusão se concentrando e quando estiver em torno de meia dúzia uma delas comprará todas as outras. Com isto, todos nós seremos empregados desta Dona do Mundo, não haverá mais a necessidade de governos, desemprego, etc., e a propriedade será exclusividade dessa grande corporação, o capitalismo perfeito, o comunista.

 

Este não é um assunto novo, pois é amplamente tratado no livro A Corporação, de Joel Bakan, que inclusive gerou um documentário homônimo. Em suma, o mundo já é comandado pelas grandes corporações.

 

Dizem, também, que apenas 500 pessoas detêm em torno de 80% da riqueza do mundo e, isto se confirmando, as previsões do Kledir não estará longe de vir a ser realidade. Infelizmente, esses números não impressionam, assim como o fato de mais de um bilhão de pessoas passarem fome no mundo, 11 mil crianças morrem ao dia por desnutrição (fome) e o gasto anual dos europeus com perfumes daria para aplacar a fome no mundo.

 

Há não muito tempo também foi publicado o livro Riquistão em que o autor Robert Frank fala de existência de um outro país dentro dos Estados Unidos, aquele dos multimilionários, 10 milhões de famílias que movimentam 30% a mais do PIB americano. Este livro fecha com um “paper” de Ajay Kapur, analista que trabalhava para o Citi, em que fala da "plutonomia", uma palavra que inventou para descrever as economias movidas (e controladas) por uma elite rica, tais como as dos EUA e do Reino Unido.

 

Nos Estados Unidos 1% da população controla quase um quarto da riqueza do país.

 

Michael Moore deve ter lido o livro e talvez tenha de alguma forma lido o "paper", pois parece retratar Kapur como um dos "malvados" em seu mais recente filme, "Capitalism, a love story" (capitalismo, uma história de amor).

 

Na Argentina, no mínimo 18 das 20 de suas maiores vinícolas estão nas mãos de investidores estrangeiros. Donald Hess, proprietário de 4 vinícolas (África do Sul, Argentina, Austrália e Estados Unidos) declarou em 2007, no suplemento Argentina Wine Style, que “o futuro do vinho pertence ás vinícolas boutique, desde que produzam bons vinhos, representativos de seu “terroir”, e os grandes grupos, que produzem vinhos consistentes, fáceis e agradáveis ao consumidor”.

 

Com a compra da Almaden pelo Miolo Wine Group esta onda começa a chegar por aqui e a associação deste grupo nacional com outras empresas, a exemplo da Osborne no nordeste, nos indica que estão no caminho certo, querem ficar do lado das grandes corporações e não há nada de errado nisto, seguem a tendência do mundo dos negócios.

 

Com o andar da carroça as melancias se acomodam, mas até chegar este momento não há outra visão de mundo senão com ceticismo, afinal, a democracia está em jogo, pelo desejo de poder econômico.

 

A Serra Gaúcha tem vocação para vinícolas boutique, mas em um país como o nosso com custos absurdos, tributação elevada e forte burocracia, talvez condicione a existência destas pequenas propriedades a um pequeno número. Os grandes grupos – nacional ou estrangeiro – vão se localizar em outras regiões, mais aptas economicamente para a produção de vinhos fáceis e agradáveis ao consumidor, como bem diz Hess.

 

Finalmente, quando os grandes grupos forem uma meia dúzia de dois ou três, lembraremos do Kledir, não apenas como músico, mas como vidente.



Escrito por Werner Schumacher às 16h13
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Economia punitiva

O pensamento racionalista está presente em todas as ciências e, consequentemente, em nossas vidas e aqueles baseados nos valores econômicos nos afetam em modo especial por serem – na maioria das vezes – punitivos e quando sob a forma de incentivo nem sempre trazem vantagens para o todo.

 

Constatou-se que o açúcar é um dos grandes males da vida moderna pela obesidade coletiva que provoca e o vilão maior é o refrigerante. Esta bebida está sob fogo cruzado em muitos países. Nos Estados Unidos querem aumentar os impostos, na Alemanha está proibida a sua venda nas escolas e bares adjacentes aos estabelecimentos de ensino e assim por diante.

 

O racionalismo, no entanto, geralmente busca o caminho mais simples: Como podemos diminuir o consumo de refrigerantes? Até o momento, talvez as únicas soluções sejam punir o consumidor, quer aumentando os impostos incidentes sobre a bebida ou dificultando o acesso à mesma, como nos países citados entre outros.

 

O curioso é que as bebidas dietéticas não serão tributadas da mesma forma que as açucaradas, mesmo que não se tenha ciência total de seus efeitos colaterais, isto mais parece uma guerra de interesses escusos e quem sempre paga o pato é o consumidor.

 

A obesidade, portanto, deve ser punida e isto faz lembrar uma crônica do Moacyr Scliar, publicada na Folha de São Paulo, em que um obeso nos seus últimos dias de vida tinha apenas como prazer comer, no entanto, a sua comunidade decidiu cobrar uma vez e meia o valor do enterro para obesos. Embora tudo depois se resuma a pó, o espaço inicial é maior e diante das dificuldades financeiras que iria deixar para a esposa, o moribundo decidiu abdicar do seu último prazer para estar elegante pelo menos na hora do enterro.

 

É 8 ou 80, ou seja: ou se come para viver ou se vive para comer, o meio termo parece não existir, neste caso, o comer por prazer. Nem tudo está definitivamente provado, mas são tidos como valores absolutos, vejam o caso dos ovos, dizem até que o Luis Fernando Veríssimo está procurando a quem processar pelos 30 anos que ficou sem comer ovos.

 

Para os doutos racionalistas o caminho é punir, não educar, não incentivar.

 

Aqueles da minha geração e passadas foram criados a base de limonada e refrigerante fazia parte da alimentação apenas em festas e para alguns mais abastados no churrasco do domingo. Vê-se, portanto, que é uma questão de hábito e educação, não tributária. E já se fabricava gordos à época, ta bem da verdade, menos sedentários que os de hoje.

 

É do conhecimento de muitos as estratégias utilizadas por um grande fabricante de refrigerantes para aumentar o consumo. Primeiro, o refrigerante era vendido em garrafas pequenas e criaram uma garrafa média, então quando alguém fazia o pedido o garçom oferecia: uma média? A resposta era sempre sim. Em seguida, vieram às garrafas de 1 litro, 2 litros e há pouco tempo de 3 litros. Em breve será vendido em barril.

 

Tudo é um tanto quanto contraditório, por um lado se incentiva o consumo, basta ver o bombardeio publicitário, para o crescimento da empresa, para gerar mais empregos, para pagar impostos, etc. e depois de constatado o problema (não investimento na educação), a solução é punir o consumidor provocado, motivado e incentivado a beber.

 

O modelo está equivocado, pelo excesso de racionalismo, pelo excesso de normas, pelo excesso de regulamentação das nossas vidas, como se fossemos seres concretos. O modelo vigente parece não se preocupar pela educação humana, não está preocupado com o desenvolvimento do ser humano, parece não considerar o incentivo, pois este só pode vir através da educação e do crescimento pessoal.

 

Quando se incentiva em economia esta ação se dá normalmente de forma ambígua, pois provoca guerra fiscal, etc., em outras palavras, uns ganham outros perdem. Tudo tem que vir de fora para dentro, como o remédio para disfunção erétil, só faz crescer e não desenvolver.



Escrito por Werner Schumacher às 12h48
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Assassinos da natureza

É lastimável a ação do MST na fazenda da fábrica de sucos, pois cometeram – acima de tudo – um crime contra a natureza. O que os milhares de pés de laranja têm a ver com a raiva deles ou a reforma agrária? Estas laranjeiras não terão mais a felicidade de produzir a fruta e muitos litros de suco para a alegria, principalmente, das nossas crianças.

 

É um movimento de sem terra sem alma campesina, um campesino jamais cometeria um crime destes. Isto é alma de quem desmata não só laranjeira, como também araucária, mata atlântica, etc. Não têm a terra em suas almas, como um amigo que lacrimejando me contava hoje haver perdido a produção da próxima vindima por causa da chuva de pedra.

 

Contra São Pedro não se pode fazer nada, nem mesmo homenageá-lo, pois a terra de meu amigo está na colônia que leva o nome do santo. O MST não é São Pedro, muito menos santo.

 

É intolerável a ação do MST, que vem sendo atendido pelos últimos governos e a grande maioria de seus assentamentos são modelos de uma incompetência sem precedentes, jamais visto na história deste país e do mundo em matéria de reforma agrária. Pior, com uma violência impune.

 

Não sou a favor de latifúndio e de tudo o que é grande, mas vou explicar o porquê. O mundo seria melhor se tudo fosse pequeno. “Small is Beautiful” do tio Schumacher, mas isto infelizmente é muito romântico para os nossos dias. O que manda hoje no mundo são os valores econômicos, não aqueles humanos, sendo a economia de escala o que determina a concentração.

 

Os bancos, por exemplo, um compra o outro e vão formando grupos cada vez maiores, demitem empregados, reduzem a estrutura e, consequentemente, custos, mas não baixam as tarifas, os juros, etc. A economia de escala, neste caso, só serve para eles, mas os bancos "latifundiários" não são invadidos.

 

As montadoras, uma compra a outra, mas os preços dos automóveis vão crescendo ano após ano, ora porque é preciso air bag, ora pelo freio ABS, ora por isto, ora por aquilo, enfim, vão criando necessidades e engordando os lucros, mas as montadoras "latifundiárias" também não são invadidas, mesmo que a economia de escala sirva apenas para eles.

 

Dizem que o exército brasileiro possui mais de 200 mil hectares de terra entre o Alegrete e Rosário do Sul aqui no Rio Grande, para treinamento. Talvez não haja mais necessidade desta área, pois com os caças e submarinos que o Brasil está comprando será barbada acabar com qualquer tentativa de ataque argentino ao nosso território. Também, parece que basta abrir as comportas de Itaipu que inundamos os portenhos. Portanto, a necessidade da área para um treinamento em escala de guerra pode ser transformada em assentamento, mas as "latifundiárias" áreas do exército não são invadidas.

 

Dizem, ainda, que a igreja católica tem também grande área de terras, mas parece que eles fizeram acordo com o MST, apoiando o movimento e por isto são preservados.

 

Como economista, e sob a ótica da economia de escala, estranha muito esta bronca com os latifundiários, pois parece ser a única forma de concentração que beneficia o povo, pois ela proporciona diminuição nos preços dos alimentos. Quanto maior a área plantada, mais baixo o custo e a oferta excedendo a demanda os preços caem, mas a revolta é contra os latifundiários, mesmo pequenos, pois parece não haver módulo mínimo, tanto faz o cara ter 2 mil quanto 100 mil hectares.

 

O governo deve lembrar ainda que o modelo adotado, exportação de produtos agrícolas, para pagar a dívida externa, entre outras, foi incentivado, atraiu investidores, que demonstraram ser muito eficientes, afinal a nossa agricultura é uma das maiores e melhores do mundo hoje.

 

O latifúndio é conseqüência e não causa, enquanto o modelo for mantido, continuaremos a ter e a aumentar o contingente de sem terra, a agricultura familiar é candidata potencial, pois é contemplada apenas com financiamento barato, em todos os sentidos da palavra, sem extensão rural, não é a toa que o Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos e, principalmente, sem educação.

 

Sabe-se lá o que vai pra mesa do brasileiro.



Escrito por Werner Schumacher às 14h36
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Sumatra, terremoto e o sagu

Sumatra virou notícia esta semana pelo terrível “tsunami” que passou por lá, mas a primeira vez que esta ilha me chamou a atenção foi ao ler um livro italiano sobre a viagem e vida de Marco Polo. Por volta de 1285 ele passou por lá e talvez este seja o primeiro registro da história sobre o sagu, este mesmo nome dado ao tão apreciado doce aqui da Serra Gaúcha, levando-o para Veneza.

 

Curiosamente, Veneza está no Vêneto, região que mandou muitos emigrantes para o Brasil e lá o sagu, como se conhece aqui, parece não existir. A razão talvez seja o fato de que o sagu levado por Marco Polo era extraído de uma árvore, enquanto o nosso é produto de uma raiz, a mandioca.

 

Dessa feita, o “tsunami” passou é pela minha cabeça, pois não conseguia ligar uma coisa com outra, ou seja, seria o sagu original obtido de uma árvore? Seria o nosso sagu uma falcatrua? Como se perdeu isto na itália e aqui ainda sobrevive?

Para quem acha que isto é perda de tempo, recomendo a leitura do livro Comida, de Felipe Arnesto, onde ele conta toda a história da humanidade através da alimentação.

 

Bem após algumas pesquisas, passando inclusive pela primeira volta ao mundo, descobrimos alguma coisa.

 

Após, Marco Polo, outro registro interessante é o diário da expedição de Fernão de Magalhães, A Primeira Viagem ao Redor do Mundo, sobre o qual Gabriel García Márquez diz: “é um dos livros mais importantes da minha vida”. Esta expedição começou em agosto de 1519, portanto, já há 490 anos. Fernão relatou que ao passar pelo Brasil também encontrou aqui sagu. De onde seguiu, cruzando o estreito que leva o seu nome, para as Filipinas, Indonésia e cia. limitada. Por lá experimentou uma bebida (já provada e documentada por marco Pólo) feita a base de sagu pelos nativos e a bebedeira foi tal que acabou morto juntamente com a sua tripulação.

 

Os nativos da região extraiam um líquido de uma palmeira que ao fermentar produzia esta bebida alcoólica, que os marinheiros de Fernão de Magalhães chamavam de vinho de sagu, afinal, este era o nome da palmeira. Também, produziam desta seiva uma fécula para fazer pães e outros alimentos.

 

O nosso doce é feito igualmente a partir de uma fécula, mas de mandioca, também tem algo a ver com vinho, mas apenas para preparar o nosso tradicional doce. Portanto, a bolinha de sagu não dá em árvore, é um produto industrial, embora muitas vezes alguns acreditam, principalmente, no dia 1º de abril que o sagu é uma frutinha.

 

Enfim, não é a mesma coisa, mas causou, pelo menos na minha cabeça, um terremoto quando li isto na passagem de Marco Pólo por Sumatra, não conseguia estabelecer a relação entre os dois produtos. Algo parecido ocorreu comigo na China, em relação a um apetrecho gaúcho, mas isto é assunto pra outro dia.



Escrito por Werner Schumacher às 13h24
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Criado símbolo para o espumante brasileiro

Taça Simbolo Espumante Brasileiro

 

Há muitos anos foi decretado a inconveniência do uso das tradicionais taças para espumantes, conta-se que o formato se deve ao molde extraído dos seios da rainha Maria Antonieta, esposa do Rei Luís XVI. Naquele tempo não havia silicone, caso contrário o conteúdo de uma garrafa caberia numa taça turbinada, aliás, a taça se chamaria Pâmela.

 

Veio então o predomínio da flauta (flüte), ideal para se admirar o perlage, a evolução das bolinhas de gás e por fim se constatou que era só para isto mesmo que servia, nada mais, além de serem mais elegantes de um modo geral que as taças em forma de seio.

 

Passou-se então a se pesquisar a taça ideal para espumantes e algumas regiões ou empresas identificaram algumas. Minha primeira experiência com uma delas foi em 2005, quando em visita a região italiana de Franciacorta, degustei os espumantes da cantina Bellavista, na mesma visita estava o Gilberto Pedrucci, vencedor do prêmio Enólogo do Ano daquele ano e um grupo de degustadores da ONAV – Organização Nacional de Degustadores (Assaggiattori) de Vinhos.

 

Conversamos bastante sobre o assunto e foi fácil perceber a evolução do perlage, em forma de espiral e mais intenso que nas flautas, também diferenças aromáticas perceptíveis, não astronômicas, mas significativas. Trouxe uma taça, que infelizmente se quebrou na viagem.

 

 

Taça de Franciacorta 

 

Fiquei com aquilo na cabeça e qual não foi a minha surpresa este ano, quatro após a visita a Franciacorta, que fui convidado para participar de um grupo que escolheria a taça símbolo do espumante brasileiro.

 

Na primeira fase, examinamos o visual de várias taças, inclusive do estilo maria Antonieta  e dez foram selecionadas. Na segunda etapa, a mais “sacrificante”, tivemos que degustar um espumante, menos mal que era um belo produto, nas diversas taças e aí julgá-las organolepticamente também.

 

Pude perceber que todas as taças semelhantes à escolhida apresentavam um perlage mais intenso, uma maior permanência e volume de espuma e diferença significante na percepção aromática.

 

Fico feliz em ter participado desta escolha, se votei certo: não lembro, mas a ABE – Associação Brasileira de Enologia está de parabéns e belíssima a apresentação da taça na Avaliação Nacional de Vinhos deste ano e realizado um brinde coletivo digno de ser publicado no livro dos recordes, mais de 750 convivas.

 

Esta sim é um símbolo digno do produto brasileiro, belo, elegante e descolado.

 

 

Maiores detalhes sobre o processo de escolha da taça, veja em www.enologia.org.br



Escrito por Werner Schumacher às 15h56
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Vale dos Vinhedos é salvo pelo Gongo*

No último assalto o Vale dos Vinhedos se livrou de ver parte do seu território loteado, não por mérito próprio, mas por pressão do Prefeito Lunelli e pela repercussão negativa do caso em todo o território nacional.

 

Por iniciativa da Lex Empreendimentos que, para evitar maiores desgastes, desistiu do negócio. A Lex merece nossas felicitações.

 

Estuda-se agora o que fazer com a área, de certo modo atender as expectativas do proprietário da terra e, oxalá, a utilizem para criar um parque temático e instalar o Museu do Vinho, desejado pela comunidade.

 

Espera-se agora que os empresários do Vale dos Vinhedos, após o susto, passem a valorizar mais os seus produtores de uva e – de fato – incluí-los no processo de desenvolvimento da região.

 

É necessário valorizar a uva produzida na região e que a maior quantidade possível de vinhos sejam elaborados com esta origem, recebam o selo de indicação geográfica e faça os produtores se sentirem orgulhosos de pertencerem ao Vale dos Vinhedos.

 

Quando o Vale começou, o preço médio da garrafa de vinho girava em torno de R$ 4,00 e, atualmente, não sai das cantinas por menos de R$ 12,00. Muito desta valorização se deve a Indicação de Procedência, daí a necessidade de se remunerar adequadamente toda a cadeia produtiva.

 

É preciso equidade.

 

Resta saber agora se a ameaça do vereador que abriu o processo irá adiante, ou seja, por revanchismo buscar todas as irregularidades existentes nas vinícolas do Vale dos Vinhedos.

 

*Houaiss: livrar-se de um perigo ou situação constrangedora no último instante.



Escrito por Werner Schumacher às 15h12
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“Homo Economicus” encontra habitat ideal no Vale dos Vinhedos

De acordo com o Dicionário de Economia do Século XXI, de Paulo Sandroni e editado pela Record, “Homo Economicus” seria, vejam bem, seria o homem perfeitamente racional e capaz de fundamentar suas decisões exclusivamente por razões econômicas, preocupando-se em obter o máximo de benefício com o mínimo de sacrifício de modo imediato.

Em suma, o homem econômico seria aquele que agiria racionalmente no sentido de maximizar a sua riqueza e assim introduzir novos métodos produtivos para enfrentar a concorrência no mercado. Devemos entender, portanto, que esta seria uma abstração da Escola Clássica útil para a elaboração de suas teorias.

 

A Escola Histórica Alemã procurou contrapor essa noção abstrata do homem, e procurou estudar o comportamento do verdadeiro homem, este, no entanto, é uma espécie extinta, oxalá estivesse em extincão, mas não sobreviveu ao homem econômico, como fazia supor a moderna teoria econômica.

 

O homem econômico encontrou habitat ideal no Vale dos Vinhedos.

 

O homem econômico presente no Vale dos Vinhedos é da espécie “Selccap-especusnancius”, encontrados apenas em ambiente de capitalismo selvagem, especulativo e ganancioso. A espécie é vulgarmente chamada pelos cientistas por “cusnancius”, pois são hábeis em ferrar aquilo dos outros.

 

Os “cusnancios” atuam como abutres, ou seja, eles sobrevoam o seu habitat observando a ação das “abelhas operárias”, dando a falsa-impressão a estas de que elas são as abelhas rainhas. Uma das características espetaculares desta espécie de homem econômico é o faro pelo vil metal, afinal, o negócio deles é maximizar o lucro com mínimo sacrifício.

Como podem ver esta espécie difere um pouco daquela tradicional, pois sofreu uma mutação, adquiriu o gene da paciência, para melhor se adaptar ao mundo moderno, ávido pela pressa.

 

É uma espécie que impressiona não apenas pelo racionalismo, mas também pela teoria do pragmatismo, aquela que diz: o que importa é o resultado, custe o que custar, atropele, passe por cima, etc., mate a natureza se for o caso, mas atinja o seu objetivo.

 

Para alguns, sua habilidade maior é a escolha daqueles que atuam no habitat selecionado e a forma que interagem com estes e os meios que utilizam para obter suas vantagens, muitas vezes via agentes externos e, sempre, sob o manto da lei.

 

Vamos exemplificar a fim de se tornar mais claro o modo de atuação dos “cusnacios”. Eles identificam o habitat e observam as ações dos seus atores, neste caso o desenvolvimento de algum produto, ou algo, que destaque o habitat. Conseguiram observar o movimento dos produtores de vinho do Vale dos Vinhedos, muito preocupados em criar um território único na Serra Gaúcha, com a busca de excelência na qualidade de seus vinhos e que isto viesse a repercutir nacional e internacionalmente.

 

O primeiro passo estava dado, o habitat vale a pena. Então, trataram de se aliar a alguns desses atores, que ingenuamente foram fisgados, para propor negócios que viriam a valorizar ainda mais o Vale dos Vinhedos e contribuir para a imagem dos seus vinhos.

 

O primeiro sinal das ações dos “cusnácios” foi criar aquilo que hoje é conhecido como bolha imobiliária, pois pagaram dez vezes o valor do hectare no Vale dos Vinhedos, para um empreendimento magnífico, trazendo para o mesmo muitas “abelhas operárias” e, nesta onda progressista, começaram realmente a investir pesado.

 

Surgiu então um condomínio de luxo, cujo valor do hectare, dividido em lotes mais do que quintuplicou o valor da terra. Os “cusnacios” fizeram uma descoberta antropológica importantíssima, que os “abelhas-operárias”, antes fortemente unidas, estavam agora divididas em grupos, dando a perceber claramente que havia os explorados e os exploradores.

 

Primeiramente, trataram de incentivar o plantio de uvas e a valorizar o preço, principalmente, daquelas viníferas que chegaram a valer até R$ 3,00 por quilo, provocando uma enorme revolução na “colméia”, vinhedos de uvas americanas foram arrancados, alguns explorados viram a oportunidade de se tornarem exploradores e abriram suas cantinas. Os "cusnacios" começaram a trabalhar o fator inveja, desviando a atenção de todos.

 

Aquilo que no início eram meia dúzia de vinícolas, passaram a ser quase quarenta, fora as clandestinas. Outros investimentos foram atraídos para o Vale dos Vinhedos. Uma grande indústria foi instalada no Vale dos Vinhedos, construindo seus galpões no platô de um morro, sem respeito à linha do horizonte e as mata nativa ali existente. Passou a poluir sonoramente o local, pra felicidade de alguns, pois isto é sinônimo de progresso.

 

Tudo se desenvolveu espetacularmente bem para os “cusnacios” então passaram a atacar os explorados, o preço da uva caiu e junto a motivação para o cultivo da videira. Com o valor da terra valorizado, cálculos milagrosos começaram a circular entre os explorados de modo a, subliminarmente, fazê-los perceber a vantagem de vender as suas terras, afinal estão ficando velho, seus filhos foram atraídos pela cidade, principalmente, pela falta de mulheres no meio rural, pois suas filhas também foram para a cidade estudar para terem outra vida que não a de dona de casa rural. Habilmente atrairam alguns para bem demonstrar a realidade dos fatos.

 

Faltavam algumas garantias para que o plano desse certo, racional e pragmaticamente, trataram de modificar o Plano Diretor em reuniões pouco divulgadas e, principalmente, por serem conhecedores da pouca participação dos atores sociais do Vale dos Vinhedos nas questões políticas, lograram (a população) conseguir as garantias necessárias.

 

Após alguns vôos desses abutres e de alguns agentes externos, ficou claramente constado que tudo estava nos conformes e que, sob o manto da lei, todos estavam protegidos e ninguém poderia dizer ou fazer nada contra eles, sequer de terem corrompido os agentes externos, conhecidos como zangões na colméia, que - pela primeira vez na história deste país – sentiram-se úteis e muito orgulhosos, leais as “abelhas-inferiores”, vindas da África para tomar conta da colméia Vale dos Vinhedos, fazendo aumentar o poder dos zangões, ingenuamente tidos como confiáveis pelas abelhas-operárias, hoje, sabidamente, todos a serviço do homem econômico da espécie dos “cusnacios”.

 

Mais uma vez a teoria da evolução se prova, o “Homo Economicus” se modifica, faltava apenas dividi-lo em espécies, quem sabe agora eu seja laureado com o Prêmio Nobel da Economia, por esta importante descoberta científica de algo que o mundo imaginava já arqueológico, pra não dizer jurássico.



Escrito por Werner Schumacher às 14h57
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Pobres do Brasil! Venham para o vale dos Vinhedos

A partir desta próxima 2ª feira, dia 28 de setembro, Bento Gonçalves, localizada na serra do nordeste do Rio Grande do Sul será o mais novo paraíso do Brasil, aliás, o município será reconduzido ao posto, pois, no passado, já foi considerado muitas vezes o município de maior desenvolvimento do país.

 

O município enriqueceu, graças a pujança da sua indústria vinícola e concomitantemente com o surgimento de uma indústria mais expressiva ainda, a moveleira, bem como enorme diversificação na sua economia.

 

Hoje, o município é reconhecido também como um dos principais pólos de desenvolvimento da indústria imobiliária, com um número sem precedentes de prédios em construção, como bem costuma dizer o Presidente Lula: “jamais visto na história deste país” e uma diversidade de loteamentos e condomínios para todos os bolsos e gostos.

 

No entanto, Bento Gonçalves será reconhecido mundialmente por sua política de distribuição de renda e oportunidade as classes menos favorecidas, pois mais de 60% de seus vereadores, liderados pelo líder do governo municipal na câmara, elogiavelmente estão do lado dos pobres.

 

Esta 2ª feira será um dia histórico. Neste dia a Câmara de Vereadores de Bento Gonçalves vetará o veto do Prefeito contrário a criação de um loteamento popular na região turística mais badalada da cidade, o Vale dos Vinhedos.

 

De acordo com informações divulgadas na imprensa, os lotes do loteamento Vale dos Vinhedos I – muitos outros virão – serão vendidos pela bagatela de R$ 40 mil e financiados em longo prazo para que todos os pobres, todos os sem tetos e aqueles sem terra possam comprar um terreno do loteamento.

 

Isto colaborará, inclusive, para a reforma agrária, pois qualquer sem terra poderá comprar um lote, ter a sua horta, criar algumas galinhas e com o bolsa família sobreviver tranquilamente. Aliás, já estarão por aqui quando o índice de produtividade da terra for aprovado, praticamente todas as propriedades do Vale dos Vinhedos não produzem sequer metade do índice desejado pelo MDA, ou MST?

 

O valor do lote é insignificante, apenas 22,2 mil dólares. Considerando que o nosso salário mínimo está em quase 300 dólares e, em breve, diante da política cambial brasileira chegará aos 500 dólares, a parte a própria desvalorização da moeda americana, a de se convir que é até barato.

 

É de se elogiar, também, a visão política e econômica dos vereadores de Bento Gonçalves, pois a indústria vinícola da região passa por enorme crise e não há qualquer sinal de recuperação, afinal, é muito pouco competitiva mundialmente. Assim, novas indústrias poderão surgir e os moradores dos novos loteamentos, provavelmente os produtores de uva da região, poderão encontrar emprego facilmente.

 

Surpreso com esta visão, na próxima semana estarei me reunindo com a diretoria de uma fábrica de móveis e uma incorporadora imobiliária, para criarmos o loteamento Santa Lúcia D’Itália, a fim de oferecer lotes para os operários da fábrica de móveis, que não precisarão ser mais transportados diariamente de Bento Gonçalves para Monte Belo do Sul, representando enorme economia para a empresa e uma melhora significativa na qualidade de vida de seus operários.

 

É digno de mérito a competência dos vereadores de Bento Gonçalves, portanto, como humanista que sou, proponho para as próximas eleições a substituição da candidatura da Ministra Dilma Roussef a presidência por um dos nossos Vereadores, pois as ações do Governo Lula, em relação ao que se está fazendo na Capital Brasileira do Vinho – futuramente sem vinhedos – é fichinha.

 

O nosso modelo, melhor dos vereadores daqui, será copiado mundialmente, dizem até que uma comissão da ONU já está agendando uma visita ao município para ver os projetos em andamento.

 

Parabéns Bento Gonçalves, mais uma vez no topo.



Escrito por Werner Schumacher às 10h56
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Acharam o culpado, o refri é a bola da vez

Matéria de capa de revista de circulação nacional desta semana, denuncia que o açúcar é a droga da vez, simbolizado pelo refrigerante como o alvo Nº 1. Os estados de Nova York e do Maine discutiram a possibilidade de cortar seu consumo a golpes de imposto. Os EUA são os que enfrentam o problema do açúcar do refrigerante com mais rigor, mas a onda se espalha pelo mundo. A Inglaterra e a França estão proibindo a propaganda de refrigerantes na televisão e no México o refrigerante está sendo banido das escolas, já na Alemanha e na Bélgica, a proibição vale até para o comércio nas imediações das escolas. Na Irlanda, celebridades não podem fazer comerciais de refrigerantes dirigidos ao público infantil.

 

O professor David Ludwig, de Harvard, examinou 111 artigos científicos e descobriu que 40% destes são contrários aos interesses dos fabricantes de refrigerantes, pois não receberam nenhum patrocínio da indústria. Aqueles, patrocinados, são todos, absolutamente todos, favoráveis aos refrigerantes.

 

Isto é um claro indício que muitas informações são manipuladas, haja vista os remédios que são aprovados e depois retirados do mercado. As pesquisas encomendadas, cuidado, portanto, com a fonte da informação, desconfie sempre.

 

Os males que o consumo de açúcar em excesso, cientificamente provado, é devastador, pois provoca uma reação em cadeia, um mal leva a outro e assim sucessivamente: que pode incluir cárie dentária, hipertensão, doenças cardiovasculares, derrame cerebral, falência renal, cegueira, doenças nervosas, amputações – e algo como seis a sete anos de vida a menos.

 

Muitas gerações foram criadas a base de limonada e sucos caseiros e em festas e às vezes aos fins-de-semana refrigerantes. Hoje o seu consumo é diário, não raramente já começa no café da manhã.

 

Estudos – não patrocinados – comprovam as vantagens do consumo de suco de uva natural – aquele não adoçado – e se a indústria souber aproveitar, o seu consumo poderá dobrar a cada ano, fazendo com que falte uva no mercado para atender a demanda.

 

O setor, no entanto, precisa esclarecer com urgência o consumidor, pois muitos sucos são refrigerantes disfarçados. Os fabricantes, atentos a estas pesquisas que comprovam os males do açúcar - em excesso - estão diversificando a sua linha e oferecendo refrescos e néctares de frutas, com maiores teores de frutas, no entanto, também adicionados de açúcar.

 

As grandes corporações de refrigerantes não esperam acontecer, fazem acontecer. A grande maioria é proprietária das principais marcas de sucos.

 

Até refresco em pó é chamado de suco. O estado de Minas Gerais é o campeão nacional de consumo, algo como 26 litros per capita ano, enquanto aquele de suco é similar ao de vinho – meu suco preferido – 2 litros per capita.

 

Foi sugerido um trabalho neste sentido, comparando o valor nutritivo de sucos (de verdade) em relação aos refrigerantes de frutas, refrescos, néctares, sucos reconstituídos e sucos em pó e atrelada a uma campanha de divulgação modesta com degustações, mascote, distribuição de panfletos, etc. Infelizmente, a nossa indústria não é pro - ativa como os fabricantes de refrigerantes, prefere esperar acontecer, ou que os outros o façam por eles.

 

Menos de meio litro per capita ano seria suficiente para não ter mais uva suficiente no país para atender o mercado, nada impossível ou miraculoso, afinal cada brasileiro bebe 70 litros per capita no de refrigerante.

 

Assim como alguem deve estar com 14 mulheres, pois estou sozinho, também alguém deve beber 140 litros per capita ano – como os americanos – de refri, porque eu raramente o faço.



Escrito por Werner Schumacher às 15h14
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Vinho branco, por que não?

Bebiam-se mais vinho no Brasil quando o consumo de brancos era maior do que o de tintos. Esta mudança se deu após a descoberta dos benefícios a saúde dos tintos e o consumidor passou a tomar mais deste, mas não na mesma proporção e, diga-se de passagem, também de roses, produto injustamente crucificado por muitos. Isto lá pela década de 80.

 

A época, nos eventos enológicos (congressos, etc.) latino-americanos, era unânime e destacado por todos a vantagem dos brancos brasileiros sobre os congêneres dos nossos vizinhos. Produzíamos brancos leves, com boa acidez, frescos e frutados, mais afeitos, portanto, ao nosso clima e a gastronomia.

 

Esta pode ser uma explicação para uma queda maior no consumo de vinhos brancos em nosso país. Produtos mais frescos, leves e fáceis de tomar, principalmente, quando bem frios, pra não dizer gelado.

 

Acabo de receber de um amigo o resultado de uma degustação de vinhos da variedade Chardonnay realizada em 17 de março passado pela SBAV Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho, de São Paulo e o vinho melhor classificado, com 87 pontos em 100, foi o Dom Guerino Victória 2008, com 11,5% de álcool.

 

Tirando alguns vinhos da safra 2005, a grande maioria era de 2008 e a graduação alcoólica variou dos 11,5%, o 1º colocado a 14%, neste caso o 5º colocado, entre oito vinhos degustados. Dois vinhos de 2005 – a melhor safra dos últimos anos – com 14% e 12% de álcool ficaram, respectivamente, em 6º e 7º lugar.

 

Isto pode nos dizer que o teor alcoólico de um vinho pode ser um engodo, afinal, um produto mais leve sempre será mais refrescante que um mais alcoólico e, portanto, mais propício ao nosso clima, também, por ser mais fácil de beber, em tese melhor.

 

Também, pode nos indicar que não encontramos ainda, provavelmente, a “receita” para produzir brancos mais encorpados, fermentado ou passado por barricas de carvalho, como ocorre com os congêneres de nossos vizinhos. Talvez não seja, ainda, a nossa vocação a produção destes estilos de vinhos.

 

Tudo parece indicar que cometemos um engano ao abandonar em parte o estilo de vinhos que produzíamos nos anos 80, para buscar produtos mais encorpados, com ou sem barrica. A degustação acima pode ser um indício.

 

Outro problema sério, é a dificuldade em encontrar vinhos brancos nos supermercados da região da Serra Gaúcha, seja pelo aspecto de variedade de produtos e castas, como de safra. Estamos já na primavera e raramente se encontra um vinho branco da safra 2009, mais jovem e fresco. Até brancos da safra de 2004 são encontrados nas gôndolas.

 

Isto mostra um problema de pós venda das vinícolas locais. Parecem não estar preocupadas com o que os consumidores vão encontrar, depois não entendem porque perdem mercado.

 

Foi difícil ajudar duas turistas sábado último, em um supermercado de Bento Gonçalves, a encontrar um bom branco para levarem. Uma delas, inclusive, estava com uma garrafa do vinho verde Casal Garcia no carrinho. Enfim, para solucionar o problema, esta acabou levando um espumante Brut e uma garrafa de um Tannat 2005 e a outra levou o mesmo Tannat e o mesmo varietal de outra empresa e safra.

 

Neste sábado não estava calor, mas sentia sede e acabei pegando duas garrafas do Casal Garcia, safra 2008, os estrangeiros parecem estar mais atentos, mesmo porque a safra deles é em agosto/setembro e não em janeiro como nós. Não buscava nenhum comprometimento gastronômico, apenas bons fiambres, queijos e um bom pão, aliado a vontade de beber, para compensar as seis horas ininterruptas de poda, acabei consumindo as duas garrafas. Vejam bem, 10% de álcool.

 

Fica aqui um alerta aos nossos cantineiros, talvez o caminho não seja imitar os vizinhos e pensar em produtos mais apropriados para o nosso clima, mais descolados para a beira da praia ou ao por do sol do Guaíba, afinal, nossos espumantes parecem dizer isto.

Por que não?



Escrito por Werner Schumacher às 19h38
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Cerveja afrodisíaca é inventada por acaso

O cervejeiro Jürgen Hopf inventou por acaso uma cerveja afrodisíaca, também chamada por alguns de: “primeira cerveja sexy”, “cerveja erótica” e “cerveja expansora da libido”. Hopf trabalha na cervejaria de Schönbrunn, na Bavária, uma pequena aldeia alemã de 1.400 habitantes.

 

Essa cervejaria é totalmente automatizada, mas Hopf foi chamado, tarde da noite, para checar o equipamento que não funcionava, como fazia muito calor e não havia ninguém entre a sua casa e a cervejaria, bastava atravessar a rua, resolveu ir só de cueca verificar o problema.

 

O equipamento estava totalmente parado, então tomou um bastão para revolver a massa e depois de resolvido o problema, deixou este lote separado, pois tinha tido uma ereção enquanto movia o bastão.

 

Dois meses depois, a cerveja foi provada e qual não foi à surpresa! Todos tiveram a sua libido melhorada, inclusive, na Oktoberfest de 2007, Hopf foi informado que a sua cerveja ajudara uma inglesa engravidar. As virtudes da cerveja foi aprovada pelos machões italianos em Milão, durante a realização de um festival de cerveja.

 

Hopf está casado há 25 anos e diz que a sua mulher é fã da Cerveja Erótica. Isto já é mais do que ser afrodisíaca, é milagrosa a cerveja.

 

Não há muita informação técnica sobre o processo de fabricação da cerveja, apenas é possível deduzir que houve  maceração e maturação prolongadados. Outras cogitações, não técnicas, podem ser atribuídas à cueca utilizada pelo cervejeiro no dia, na verdade uma tanga bávara, o uso do bastão, a incidência de uma luz de néon sobre o tanque da cerveja numa sala especial e o fundo musical de Richard Strauss, Assim falou Zarathustra.

 

Com esta descoberta, o sossego do cervejeiro de 53 anos acabou, pois agora precisa repetir a sua descoberta sempre no mesmo horário e de cueca, para atender a demanda pelo produto. Que já conta, inclusive com vários tipos de souvenir.

 

Como não foi descoberto ainda um vinho afrodisíaco, atrativo maior do que apenas fazer bem ao coração, podemos apenas fazer conjecturas a respeito. Como descobrir a cueca ideal, isto é de suma importância, afinal a uva pode ser pisada (esmagar com os pés), portanto, uma do tipo boxer seria a ideal, pois vem com perninhas, é fabricada em tecido elástico e macio, que se ajusta perfeitamente ao corpo e, de preferência com suspensor, que ajuda a manter a posição anatômica do órgão genital masculino, ajudando a manter a separação do corpo e a parte genital, permitido a baixa temperatura dos testículos e assim uma movimentação mais cômoda e confortável.

 

Sungas, slips e tangas não são indicadas por falta de segurança. Outro tipo de cueca que poderia ser usado é o samba-canção. O tecido: algodão, seda, etc. também pode influenciar e, naturalmente, a marca da cueca. Quanto mais refinado o tecido e a marca, mais caro poderá ser o vinho produzido, diferentemente da cerveja que tem apenas um tipo.

 

A luz utilizada na cerveja sexy é a de tipo néon, provavelmente, para o vinho, não deverá haver nenhuma incidência direta, pois esta é prejudicial ao vinho, no máximo uma luz negra. O tanque não deverá ser de inox, afinal é um produto inerte, deverá ser de madeira, preferentemente carvalho ou alguma com características afrodisíacas.

 

A maceração também deverá ser prolongada a fim de se extrair o máximo de substâncias possíveis, portanto, as remontagens. No mínimo cinco por dia, deverá ser feita manualmente com um bastão, resta descobrir a qualidade da madeira do bastão utilizado pelo cervejeiro bávaro, talvez aqui possa ser o Pau-ferro ou o Pau-brasil.

 

O teor alcoólico do vinho não deverá ser elevado, preferentemente, um produto leve uma vez que o efeito será proporcional ao peso e estrutura corpórea do consumidor.

Falta descobrir a trilha sonora, mas este não será um problema, pois há diversas músicas sobre vinho, desde as eruditas e clássicas ao jazz e canções populares.

 

Melhor seria se este vinho fosse descoberto por uma enóloga, ou a uva pisada por uma donzela, como feito por uma Miss Fenavinho. Infelizmente, o vinho produzido na ocasião ainda não foi dado à prova e, se o foi e o referido descoberto, alguém ficou com o lote só para si.

 

Se a uva for pisada por uma virgem, a garrafa deste vinho não poderá vir com Selo Fiscal, mas sim com um cinturão da castidade.

 

Em pouco mais de cem dias teremos a nova vindima, portanto, mãos a obra. Quem sabe é a salvação do setor



Escrito por Werner Schumacher às 14h16
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