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Blog de Werner Schumacher


DIFERENÇAS ENTRE SÃO JOAQUIM E O VALE DOS VINHEDOS

O Vale dos Vinhedos, em primeiro lugar. é um distrito de Bento Gonçalves, que surgiu pela emancipação de Monte Belo do Sul, portanto, é uma área geográfica que pertence a uma comunidade.

 

Posteriormente, esta área foi ampliada, não do ponto de vista político geográfico, surgiu apenas para a formação de um território de Indicação Geográfica, mais precisamente a Indicação de Procedência Vale dos Vinhedos - IPVV, incorporando parte dos municípios de Garibaldi e Monte Belo do Sul.

 

Sob este ponto de vista, a IPVV é, antes de tudo, uma ferramenta de desenvolvimento humano, social, cultural, ambiental e econômico, fazendo surgir aqui à necessidade de esta satisfazer, sobretudo, a comunidade. Como é, por exemplo, na Borgonha, onde até as festas religiosas são prestigiadas e comemoradas por todos.

 

Fica claro, portanto, que uma Indicação Geográfica pode e deve ser também uma ferramenta de marketing, mas não apenas isto, como vem sendo a IPVV, uma vez que poucos produtores de uvas entregam a sua colheita nas cantinas do Vale. Facilmente constatável pela quantidade enorme de placas de vende-se no Vale e a recente discussão em torno a um loteamento popular que seria erguido numa das mais belas de suas paisagens.

 

Por fim, utiliza-se o nome, a cultura, o saber fazer e a história de uma comunidade em benefício de uma meia dúzia de dois ou três e a Denominação de Origem, outro tipo de Indicação Geográfica, dificilmente corrigirá esta falha. Deus queira que sim, a única esperança diante da falta de sensatez de algumas lideranças.

 

Já São Joaquim e as regiões de altitude de Santa Catarina foram mais felizes na escolha do projeto de desenvolvimento, optaram por uma Marca Coletiva em detrimento a qualquer tipo de Indicação Geográfica (IP ou DO).

 

A opção dos catarinenses é mais sincera, pois foram pragmáticos: “vamos em primeiro lugar pensar empresarialmente”, ou seja, optaram primeiro em investir na projeção de uma localidade e em suas propriedades (vinhedos próprios), para que esta ferramenta de marketing promova os seus produtos.

 

Não tinham outra escolha, afinal, não há na região vocação vitivinícola. Em outras palavras, eles estão criando esta vocação, é ou será mérito exclusivo dos investidores, quem sabe e se assim o desejarem, será uma atividade empreendedora no sentido de levar o desenvolvimento partilhado na região.

 

Isto não ocorrendo será apenas mais um investimento, que desejamos, de qualquer forma, sucesso absoluto.

 

Visualizar estas realidades não é ser pessimista, talvez o seja quando se pensa exclusivamente na remuneração do capital. Oxalá, o Vale dos Vinhedos retome o seu propósito de desenvolvimento - e não apenas o crescimento para poucos – bem como as regiões de altitude catarinenses busquem se orientar para as questões sociais locais, pois turismo, queiram ou não, só se faz comunitária ou coletivamente, escolham o termo que melhor convier, mas façam e não falem apenas.

 

Faturar e pagar impostos não é tudo nesta vida, é preciso ter responsabilidade social. O Hotel Copacabana Palace não seria nada, não fosse a praia de Copacabana, assim como não somos nada sem as nossas comunidades, locais ou regionais.

Que o texto sirva  para reflexão das demais indicações geográficas a caminho e não apenas quanto ao vinho, pois há uma quantidade enorme de outros produtos passíveis de indicação geográfica, como a carne frescal da região serrana catarinense, entre outros produtos.



Escrito por Werner Schumacher às 10h57
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Garrafão de vinho vale 10 reais, mas governo quer que você pague 20,56 reais

Acredite! Governo gaúcho quer te obrigar a pagar mais caro pelo vinho

 

Governo tabela – por tabela – o preço do vinho via substituição tributária

 

O Governo Gaúcho indiretamente está tabelando o preço do vinho a maior do que o mercado está disposto a pagar. Através da substituição tributária, onde o ICMS deve ser recolhido, pelos fabricantes ou atacadistas, sobre um preço que o governo supõe ser aquele que o consumidor pagará no varejo, portanto, não é o mercado que fixa o preço, mas sim o governo.

 

Alguns criticam o presidente Lula de ter confirmado a China como uma economia de mercado, mas devemos reconhecer que ele tem razão neste aspecto, pois lá a carga tributária é de 18% enquanto aqui é superior a 50%.

 

O ICMS é um imposto indireto, ou seja, um dos mais injustos socialmente, pois todos pagam a mesma coisa, não importa se tu recebes 1 ou 100 salários-mínimos e a substituição tributária afeta principalmente os produtos mais populares, como o vinho de mesa.

 

O valor determinado pelo governo para um garrafão de vinho é R$ 20,56, mas o garrafão está sendo vendido no varejo por menos da metade deste valor e isto não importa para o cálculo do imposto.

 

As empresas não podem se creditar do imposto caso vendam o produto com preço a menor do fixado pelo governo. Exceto uma grande rede de supermercados que obteve uma liminar para isto. Na época o Estado curiosamente não conseguiu se defender corretamente e, igualmente, não consegue derrubar esta liminar. Mais estranho ainda é o fato de que outras empresas parecem ter buscado o mesmo recurso, mas dessa feita, parece que o Estado soube se defender. Dá o que pensar.

 

Em dezembro do ano passado, em audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, este mesmo Sr. Julio César Grazziotin afirmou que o Governo do Rio Grande do Sul não adotaria a substituição tributária porque a grande maioria das empresas vinícolas gaúchas é de pequeno e médio porte, todas sem capital de giro, além da comercialização se dar de forma sazonal e com muita consignação, principalmente, nos finais de ano.

 

Diz-se uma coisa, faz-se outra. Como uma empresa pode planejar, quando as regras do jogo mudam frequentemente? Dizem que mais de 700 modificações ocorreram, apenas este ano, na legislação comercial brasileira.

 

Por outro lado, comenta-se que o governo pode aumentar facilmente a incidência do ICMS pelo sistema de substituição tributária, basta, se assim desejar, aumentar o percentual estipulado para a margem de cálculo do imposto, sem aprovação prévia do legislativo, o que é exigido no caso de se aumentar a alíquota, por exemplo, de 17% para 18%.

 

Antes do vinho, a substituição tributária foi decretada para o suco de uva. Cabe aqui ressaltar que boa parte dos produtores são agroindústrias familiares, como o Tasca, Menoncin e tantos outros, que encontram nesta atividade uma saída para agregar valor a sua propriedade e produção, mas estão sendo penalizados pela política tributária estadual.

 

A nossa vitivinicultura passa por enormes dificuldades e as principais causas são oriundas das políticas governamentais, juros altos e dólar baixo, a nível de governo federal e agora, a nível de governo estadual. A substituição tributária. Santa Catarina, Paraná e Pernambuco praticamente isentaram de ICMS seus vinhos e derivados da uva, talvez a saída seja migrar para estes Estados.

 

A economia é feita também por incentivos, mas estes parecem ser exclusivos para montadoras, redes de supermercado, enfim, para o capital externo. Nos manuais de quem faz a política econômica, parece que o único remédio para o capital nacional é a punição. Afinal, o Brasil não é um país sério, precisamos atrair empresários estrangeiros para torná-lo mais sério.



Escrito por Werner Schumacher às 11h09
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Chandon - O último dos Moicanos

Todas as multinacionais que atuavam na vitivinicultura nacional deixaram o país. Estas empresas foram responsáveis na década de 80 por uma grande melhora qualitativa dos nossos vinhos. Mas multinacional não tem pátria e se movem para onde há melhores condições de produzir e lucrar.

 

A exceção é a Chandon, que está no país pelo crescente mercado brasileiro de espumantes e pelo fato de que a nossa uva é uma matéria-prima de excelente qualidade para a produção de espumantes. De acordo com Mevel, o enólogo da Chandon no Brasil, o produto aqui elaborado é o espumante das Américas.

 

O Brasil é um país muito bonzinho, apóia o Chaves, o Zelaya e recebe de braços abertos o presidente do Irã, além de praticar uma política monetária que coloca a nossa moeda no primeiro posto entre as moedas mais valorizadas do mundo.

 

Isto torna conveniente a importação de produtos, ficam extremamente baratos no nosso mercado e os produtos nacionais não conseguem competir, seja no mercado interno como externo. O nosso gás industrial é o segundo mais caro do mundo, o lanche Big Mac é o sexto mais caro do mundo e, disse ontem um empresário, que tem fábrica em Barem, ser a nossa água mais cara que a de lá, mesmo passando por dessalinização.

 

Em contrapartida, a Argentina mantém sua moeda desvalorizada (assim como a China) para favorecer as exportações de seus produtos e possui extensas áreas de terras com vinhedos. Há lá propriedades enormes, famílias sozinhas com mil ou mais hectares é comum. Como bem disse Adriano Miolo em entrevista à revista de circulação semanal: “propriedades deste porte ou maiores é condição sinequanon para ser competitivo no mercado internacional”. Colheita mecânica 24 horas por dia é possível neste país.

 

Aqui na Serra Gaúcha as propriedades são pequenas – em média 2 hectares de vinhedos por família – e a produção em zona montanhosa é mais custosa. De acordo com estudos realizados na Europa, a produção de uvas em montanha requer dez horas mais de trabalho que aquela em planície. Lá os produtores de vinho de montanha se uniram, criaram uma associação e recebem subsídios, pois cidades milenares estavam sujeitas a desaparecer.

 

Ninguém se deu por conta ainda que a Serra Gaúcha é a única região da América Latina a produzir vinhos em áreas montanhosas. A mais de 13 anos isto vem sendo dito, mas ninguém dá importância ao assunto.

 

Na Argentina, produções de 30, 40 ou mais toneladas de uva por hectare não é problema, é comum e esta produção é extremamente competitiva a nível mundial. Não se trata de enologia de qualidade, mas de produtos populares a preços baixíssimos.

 

A parte as questões monetária e cambial, melhores condições climáticas e de solo para a produção da fruta, o nosso Brasil ainda pratica uma das mais altas cargas tributárias do mundo.

 

Também, a nossa burocracia e o famigerado Custo Brasil, fazem com que seja melhor investir noutro país e para cá exportar. Qualquer rótulo aqui entra, não precisa seguir as normas de rotulagem exigidas para os produtos nacionais. Produtos importados entram no nosso mercado, mesmo que não permitidos legalmente de serem elaborados aqui, pela simples alegação de que são típicos em seu país de origem. E assim por diante.

 

A saída das multinacionais na produção de vinhos no país provocou – positivamente – o surgimento de inúmeras vinícolas. Em poucos anos o número de estabelecimento praticamente dobrou, mas é uma produção muito pulverizada e sem capacidade de logística e distribuição de seus produtos. A sobrevivência destas empresas se dá com muita dificuldade e o governo do Estado ainda aplica a substituição tributária para aumentá-las.

 

Não basta chorar, reclamar, etc., é preciso reestruturar a nossa vitivinicultura, pois mais de 15 mil famílias vivem da produção de uvas na Serra Gaúcha. Mesmo que outras terras, planas e mecanizáveis, sejam trabalhadas, não podemos deixar que estas famílias abandonem a sua atividade. Graças a elas vivemos em um paraíso, de extrema beleza e potencial turístico.

 

No entanto, a persistir a política econômica do país, as faltas de política industrial, agrícola e de planejamento, continuarão a mandar empresas para fora do país e a exportar empregos.



Escrito por Werner Schumacher às 22h47
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Brasil, o país da Copa ou da Coca?

Coca-Cola investirá R$ 11 bi no Brasil e quer dobrar de tamanho até 2014

 

Motivada pela realização da Copa do Mundo de Futebol e pela Olimpíada no Brasil, bem como por pesquisas que apontam a entrada no mercado nos próximos anos de aproximadamente um bilhão de consumidores das classes média, D e E, sendo que boa parte destes estará no Brasil.

 

Nos últimos 25 anos de Brasil a Coca-Cola viu o seu volume de vendas crescer 50 vezes e no ano passado vendeu 9 bilhões de litros de seus produtos: refrigerantes, sucos e chás. Razões de sobra para a corporação estar otimista, além, de sozinha, fazer os brasileiros consumirem 50 litros per capita ano.

 

Outra razão importante para investir no Brasil é o fato de que o refrigerante está virando alvo de ataques em países como os Estados Unidos, Alemanha, México e tantos outros, como o grande vilão responsável pela obesidade e esta moda parece estar longe de chegar por aqui. Comenta-se, inclusive, que está em estudos o Bolsa Refri.

 

Para dobrar de tamanho em 5 anos, é preciso crescer pouco mais que 14% ao ano.

 

Isto parece não ser tarefa difícil para a Coca-Cola, haja vista os investimentos que fará em logística, modernização de fábricas, aquisições, etc. Por outro lado, a corporação é acusada de prática predatória e desleal, de acordo com a AFREBRAS – Associação dos Fabricantes de Refrigerante do Brasil.

 

Através de produtos regionais, como a marca Charrua (RS) e a Simba (SP), a Coca-Cola está praticando preços de R$ 1,55 para o litro de Charrua e R$ 1,29 para aquele de Simba, enquanto nenhuma marca dos demais fabricantes consegue cobrir seus custos e funcionar sadiamente vendendo o litro de refrigerante por menos de R$ 1,70. Coca-Cola não precisa abaixar preços, não é mesmo!

 

A AFREBRAS acusa também a Coca-Cola e a AmBev de comprarem espaço nas grandes redes de supermercado, que acabam retirando os demais fabricantes dessas lojas. De acordo com a ABIR - Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas, há no país 835 fabricantes de refrigerantes, sendo líder a Coca Cola, com 56%, seguida por AmBev (11,1%), Pepsi (6,8%) e Schincariol (4%). Os outros fabricantes detêm, juntos, 22,1% do mercado, de acordo com dados de janeiro a julho.

 

Tudo isto se presta para algumas reflexões. A Lei de Paretto, do celebre economista italiano a quem deve seu nome nos dizia que 20% das empresas têm 80% do volume de produção ou comercialização de um bem, mas aqui fica demonstrado que esta lei não vigora mais, pois menos 0,5% domina quase 80% do mercado.

 

As grandes corporações crescem por ter uma marca muito forte - a Coca é a mais forte do mundo - e fazem campanhas publicitárias milionárias. Há alguns anos, o presidente de uma dessas companhias foi demitido por perder 1% do mercado. Entre perder mercado e a prática de ações predatórias no mercado, há uma grande diferença.

 

Constata-se que no setor de bebidas não alcoólicas há também uma certa divisão em termos de associações, tal como o vinho, parece haver uma para a defesa de cada grupo interesses.

 

Seria importante saber quantos funcionários empregam os outros 831 fabricantes de refrigerantes do país, ou seja, 99,52% destes - a maioria – e quanto é a produção média por litro de produto, para que se possa fazer uma comparação entre as gigantes, as pequenas e médias empresas do setor.

 

O suco de uva, produzido aqui na Serra Gaúcha, vem ganhando mercado e mais mercado nos últimos anos. Dizem até que o crescimento das vendas foi mais de 40% no 1º semestre deste ano. Cabe a pergunta, quais investimentos o setor está fazendo para atender a demanda futura?

 

Não há grandes rumores, afinal, a grande maioria é de fabricas pequenas e suas estratégias são guardadas a 7 Chaves, mas fica a lembrança: VAI FALTAR UVA PARA A PRODUÇÃO DE SUCO EM BREVE.

 

Está aí uma oportunidade a ser explorada, mas nossas lideranças parecem fazer pouco caso disto. Talvez porque não interessa uma solução para os pequenos produtores de suco e uva.

 

O mercado ainda é a melhor solução, mas é necessária a intervenção do governo quando abusos existem.



Escrito por Werner Schumacher às 22h19
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O Brasil não é um país sério

Embora tenha negado até a morte, esta frase é atribuída ao presidente francês Charles De Gaulle e seguidamente é utilizada para justificar certos acontecimentos, como a cobrança incorreta a maior - por vários anos - da conta de luz e mesmo assim tivemos esta semana um apagão que causou muitos prejuízos a nação.

 

Recentemente, um cidadão brasileiro utilizou esta frase para justificar a adoção do selo de controle fiscal para vinhos e, neste sentido, parece ter razão, afinal, poucos são os países que utilizam este instrumento de controle fiscal, mas parecem fazer companhia ao Brasil, pois são: a Rússia, o México e a nossa vizinha Venezuela.

 

O que chama a atenção é a grande necessidade que temos de nos comparar a outrem e, muitas das vezes, estas comparações são infelizes, ou denotam um ar de subdesenvolvimento, pois não são capazes de entender que a Europa, por exemplo, nunca foi subdesenvolvida, no sentido que eles construíram o seu desenvolvimento, sem olhar muito para os lados.

 

Há algumas décadas, Stefan Zweig escreveu o livro Brasil – Um país do futuro. Quem nasceu em meados do século passado viveu sob esta esperança. Este país do futuro parece estar chegando, mais por circunstâncias (fartura de água, pré-sal, etc.) que por méritos próprios, uma vez que deixou a educação de lado.

 

Há alguns dias morreu o sociólogo francês Levi-Strauss, que disse: “o que de mais importante aconteceu na minha vida foi ter conhecido o Brasil”. Dito isto, podemos dizer que precisamos dar mais valor a nós mesmos e parar de olhar tanto para os lados e copiar outros, principalmente no que há de ruim.

 

O Brasil é um dos países que maiores dificuldades cria para o exercício de qualquer atividade, da mais simples a mais complexa. Um amigo desistiu de colocar um restaurante na sua pousada porque a fiscalização sanitária só faltou exigir uma sala especial para lavar alface.

 

A burocracia é enorme, a tributação nem se fala e diante desta realidade, torna-se necessário encontrar meios que permita sobreviver. Na verdade, somos vítimas de um sistema que está mais preocupado em punir quem não consegue atender exigências absurdas que criar condições para que todos possam estar incluídos.

 

O mesmo cidadão que disse não ser o Brasil um país sério, admitiu que o instrumento de controle fiscal desejado é uma solução paliativa, portanto, não resolverá os problemas do setor vitivinicola nacional.

 

Chega-se ao absurdo de que uma das grandes empresas nacionais terá a necessidade de investir mais de R$ 500 mil para automatizar a colocação do selo de controle fiscal para, como dito, uma solução paliativa, pior, temporária. Não seria melhor investir este valor em outras ações que incentivem o consumo de vinho?

 

Para os partidários do selo não, pois estão dentro do espírito de que este não é um país sério e a única solução para isto é punir.

 

Um país, com pouco investimento em educação e cultura, é e sempre será um país pouco criativo na busca de soluções para os seus problemas, por esta razão – contraditoriamente – somos campeões na criatividade da indústria da punição. Vejam o caso das lombadas eletrônicas e pardais: de Bento Gonçalves a Porto Alegre há praticamente um a cada 10 km.

 

Infelizmente, o importante é punir, não é educar ou incentivar e, quando incentivos há, estes são para quem não os precisa.



Escrito por Werner Schumacher às 20h09
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Imagem do vinho

ou quando o que importa não importa

 

Vivemos em um mundo marcado pela imagem e por incrível que possa parecer o visual tem se demonstrado mais importante no mundo do vinho que o gosto. Não é mais pela boca que se fisga o consumidor de vinhos.

 

Em primeiro lugar, as empresas estão investindo em construções espetaculares, desde pirâmides, castelos, catedrais, torres, etc., basta folhar alguns livros específicos sobre arquitetura enológica, revistas especializadas ou navegar pela internet visitando vinícolas e regiões.

 

A parte a belíssima decoração do interior dos prédios, brilham também baterias de tanques de aço inox e equipamentos com design futurístico sem qualquer funcionalidade.

 

Muitas vezes, no entanto, as imagens destas construções faraônicas sequer são bem exploradas, pois estas empresas preferem explorar outras imagens, como a de artistas famosos, festas maravilhosas, casais descolados com taças à mão e uma série de artifícios muitas vezes alheios ao vinho em si. Até bananeira sem cacho entra no espetáculo.

 

O curioso é que a viticultura e a elaboração de vinhos é por si só fonte inesgotável de imagens maravilhosas. Vinhedos cuidadosamente conduzidos em vales e montanhas são normalmente desprezados. A paisagem vitícola parece não ter importância, assim como o ato de colher a uva e aquele de elaborar o vinho e tudo o que encerra esta fantástica atividade.

 

Não é preciso ter um jardim, mas um vinhedo bem conduzido é por si só testemunho do capricho do produtor de uva e uma garantia de que a uva ali produzida está sendo cuidada para que seja da melhor qualidade e dela se obtenha o melhor vinho possível.

 

Mesmo que a qualidade de um vinho dependa em torno de 80% da qualidade da uva, isto parece não importar, o que importa é a imagem que a pessoa terá ao consumir um determinado vinho, seja ele bom ou não.

 

Mesmo tendo uma uva maravilhosa, isto não é o suficiente para se ter um bom vinho, falta outro elemento importantíssimo, sem o qual os castelos, tanques de inox e equipamentos não fariam nenhum sentido. Afinal a produção de vinhos ainda não está automatizada, depende e muito do fator humano, seja nos vinhedos, como na vinícola.

 

Pois este outro elemento é o enólogo, que muitas vezes fica em segundo plano. Não são muitas as vinícolas que investem neste profissional, no seu aperfeiçoamento, na participação de feiras, congressos e cursos. Muitas vezes a sua remuneração também não é suficiente para que ele próprio faça esta busca.

 

Poucas são as vinícolas que colocam o nome do enólogo no rótulo do vinho, talvez para não denotar um produto farmacêutico. Esta seria a forma mais simples de usar a imagem do enólogo para valorizar o vinho, mas para que isto aconteça é preciso que a empresa invista no seu profissional.

 

Isto parece estar dando alguns sinais de que virá a ocorrer, pelo menos em alguns países já está acontecendo, é o caso da Austrália que se vale disto para gerar uma imagem de marca relacionada com qualidade, associadas ao enólogo. Vinícolas australianas estudadas ressaltam a experiência e os êxitos obtidos por seus enólogos para atrair novos compradores para seus vinhos, afinal, o enólogo é o artesão da indústria vinícola, portanto, esta identidade deve ser utilizada para a promoção do produto.

 

Felizmente, isto está comprovado em estudo realizado pelos pesquisadores Peter Roberts e Mukti Khaire, da Universidade de Emory, que escolheram a Austrália por seu sucesso alcançado no mercado internacional de vinhos e pela “juventude” em comparação a outros produtores. Um total de 453 possuem site e 80% fazem referência ao seu enólogo.

 

Muitas destas empresas fazem referências especiais ao enólogo, a sua formação, estudos realizados no exterior, participação em concursos de vinhos. Tratam de melhorar a sua visibilidade dentro do mundo da qualidade, pois isto está diretamente relacionado a uma diferenciação do produto.

 

Oxalá esta onda chegue por aqui e que realmente sirva para ressaltar as qualidades do enólogo e não apenas para promover a empresa.



Escrito por Werner Schumacher às 22h00
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Falso moralismo de saia curta

Apesar de vivermos no país da mulher melancia, melão, samambaia e tantas outras, além da nudez no carnaval, ao ir à faculdade com vestido curto, uma estudante é perseguida por multidão e vídeo a respeito se tornou sensação na Web.

 

É uma notícia estarrecedora, de profundo falso moralismo. No mínimo, um país pra lá de ambiguo, que nos faz pensar, e muito.

 

A estudante de 20 anos, uma garota loira de olhos verdes e 1m70cm de altura, resolveu ir para a faculdade pronta para a balada. Vestiu seu alegre vestido curto rosa-choque e uma sandália salto 15, com esta beca tomou o coletivo, pois sua família é de gente simples, que a duras penas consegue pagar a mensalidade da faculdade, desejando um futuro melhor para a filha.

 

Muito vaidosa, sempre gostou de se produzir e via nos vestidos e saias maior feminilidade, mas qual não foi a sua surpresa ao adentrar a faculdade a perseguição que sofreu, impropérios foi pouco diante da barbárie que sofreu.

 

Ninguém pensou que a estudante talvez quisesse impressionar algum colega, ou alguém na festinha que iria após as aulas, que na flor da idade, quer apenas curtir a sua juventude. Se esta era a intenção, chamar a atenção, o tiro saiu pela culatra, pois encontrou um número impressionante de garotos reprimidos sexualmente, estes se sentiram agredidos, impotentes diante de uma liberdade a duras penas conquistada, mas, não se sabe o por que, naquele momento indesejada.

 

Uma multidão se formou para perseguir a estudante, ela nunca havia lido Marx, por esta razão não sabia que a massa é ignara, esta inflada a destratou, humilhou, a ponto de alguns alunos além de tocá-la, tentavam colocar o celular em meio as suas pernas.

 

Puta, vagabunda, surfistinha foram às agressões mais leves que ouviu. Os rapazes diziam: vou te estuprar, vou enfiar o meu ... na tua ... e assim por diante. Neste sentido, Luiza Erundina tem razão: “Mesmo que ela fosse uma prostituta, qual seria o problema da roupa? Temos que ter tolerância com a decisão e postura de cada um”.  Por acaso puta não pode estudar agora?

 

Finalmente, protegida em sua sala de aula por seus colegas e pelo heróico professor, a estudante chorava desesperadamente, não entendia o que se passava, estava sim numa faculdade onde todos, teoricamente, eram instruídos, civilizados, no entanto, curiosamente primitivos, verdadeiros animais.

 

Uma colega chamou o 190 para a estudante poder sair escoltada da faculdade de camburão até a delegacia. O curioso de tudo isto é que uma jovem na plena flor da idade, alegre, vaidosa, louca para amar, com certeza um pouco ingênua, foi castrada, agredida, quase violentada. Qual pecado cometeu? Nenhum, pior ainda, sentiu-se culpada.

 

É uma juventude contraditória em um país contraditório, por um lado é bem vindo o nu no carnaval, onde que presidente tira foto com mulher sem calcinhas e assim por diante, uma televisão que apela ao sexo seja nas telenovelas, como em outros programas, por outro é reprimido porque o local não é apropriado.

 

A faculdade resolveu punir a estudante e a expulsou sob a alegação de que a estudante "desrespeitou os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade" e, por isso, foi expulsa.

 

Isto mostra que a grande maioria das nossas instituições de ensino está na contramão da história, pois sua função é, sobretudo, formar pessoas e não apenas investir no conhecimento – na maioria das vezes de qualidade duvidosa – fruto de um pragmatismo extremamente mercantilista.

 

Educar hoje, se resume apenas em ganhar dinheiro.

 

A decisão da escola provocou a ira do Movimento Feminista de São Paulo, que convocou uma manifestação para hoje (09/11/2009), em frente à Uniban, pedindo as manifestantes que compareçam usando minissaias ou vestidos curtos. A UNE também promete um protesto.

 

O MEC e o governo também solicitaram explicações a UNIBAN, pois o caso repercutiu internacionalmente, com reportagens nas principais mídias. Por casualidade, o New York Times, neste último domingo publicou uma reportagem sobre os “Crossdressing” (quem se veste usando roupas do sexo oposto), que vem justo provocando grandes conflitos quanto às normas relativas às roupas, pois  refletem um choque de gerações, com os alunos crescendo numa cultura que aceita melhor a ambigüidade e a diferença do que a cultura dos adultos que fazem as regras.

 

No caso da UNIBAN, a regra parece ter sido criada pelos próprios estudantes, o que induziu a universidade a esquecer a autonomia para ir e vir.

 

Como recentemente bem disse o Deputado Beto Albuquerque em uma palestra sobre segurança no trânsito, considerando o consumo de bebidas alcoólicas, que a constituição nos assegura o direito de ir e vir, mas deveríamos pensar também (mais ainda) no direito de chegar.

 

A segurança, por incrível que possa parecer, em um mundo teoricamente mais civilizado, está cada vez mais longe do nosso alcance, pois estamos sujeitos a chuvas e trovoadas a qualquer instante.

 

Tudo isto é reflexo da sociedade atual, que está um pouco doente. O que se vê é falta de limites, inversão de valores e desrespeito aos indivíduos. Não será fácil a estudante superar este episódio. Milagre que não foi procurada ainda para fazer um ensaio fotográfico.



Escrito por Werner Schumacher às 23h10
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Vinho, com dedo brasileiro, é “parkerizado”

O vinho L’Arco Amarone della Valpolicella 2003 recebeu 91 pontos de Robert Parker. De acordo com Parker, trata-se de um vinho com aromas de amoras silvestres e especiarias, de corpo médio, dentro dos mais modernos estilos de vinhos, cuja complexidade incorpora tanto o tradicional como o moderno da Valpolicella. É a primeira vez que Parker degusta um vinho L’Arco, produzido por Luca Fedrigo.

 

Para os que não sabem, Luiz Alberto Barichello é proprietário da Villa Bari, localizada entre a Vila Nova e Belém Velho em Porto Alegre, com belíssimos vinhedos nas colinas da região, estabeleceu uma “joint-venture” com Fedrigo para a elaboração dos vinhos L’Arco.

 

O motivo da minha satisfação não é o fato de que formamos a dupla Schumacher-Barichello do vinho brasileiro, mas por recordar uma bela experiência que tive com um Amarone L’Arco que o Luiz me presenteou. Sinceramente, não recordo a safra, ato falho para quem escreve sobre vinhos, mas voltando para casa fui jantar no Canta Maria, tradicional restaurante de grelhados de Bento Gonçalves, aliás, um dos locais que mais vende o Villa Bari.

 

Pedi ao Paulo Geremia, proprietário do restaurante, se podia abrir aquela garrafa de vinho para provar, que naturalmente fui atendido. A primeira impressão que tive não foi das melhores, pouco aroma, mas o vinho parecia fechado e o deixei de lado, pelas dúvidas, apenas pedi para decantá-lo.

 

Diante do valor que o L’Arco poderia ser vendido em um restaurante e, na época, não tinha nenhum vinho brasileiro que pudesse chegar a esse valor, pedi o vinho chileno mais caro que tinha na carta do Canta Maria, ainda assim, mais barato que o provável preço do Amarone della Valpolicella.

 

Uma explosão de aromas surgiu quando o garçom abriu o vinho chileno. Comentei com a minha mulher: isto é covardia, o que está pensando o Luiz? Como pretende vender este vinho no mercado brasileiro?

 

Bem seguimos o jantar acompanhado com o vinho chileno, mas paramos de comer antes de terminar a garrafa e este vinho começou a ficar pesado, a puxar, enfim, tornou-se difícil de beber. Pedi então uma porção do queijo do Randon, melhor que chamar tipo Grana-Padano e então conseguimos terminar a garrafa do chileno.

 

Sem mais pretensão de beber, peguei a taça com o que tinha ficado do L’Arco e qual não foi a minha surpresa ao perceber um aroma complexo, desenvolvido, que lembrava ameixas pretas e de uma delicadeza impressionante. Provei o vinho e ele descia aveludadamente, “aterciopelado”, como gostam de dizer os argentinos.

 

Com o L’Arco ficou reforçada a necessidade que alguns vinhos tem de ser decantados e que fique claro, não há verdade absoluta neste sentido, algumas meias verdades, mas neste caso funcionou maravilhosamente bem.

 

O L’Arco não é um vinho, portanto, de se comprar e ir abrindo a garrafa. Depois, ficou claro que alguns vinhos e, a grande maioria dos vinhos cheios de corpo, são fáceis de beber durante a refeição, afora isto, têm que ser mastigados, como uma costela dura, para descer. Por outro lado, vinhos como o L’Arco descem facilmente.

 

Lembro de uma visita que eu e Danio Braga, pra quem não sabe: é presidente nacional da ABS Associação Brasileira de Sommeliers e proprietário da Locanda Della Mimosa, um dos melhores restaurantes o mundo, fizemos ao Luiz em sua bela propriedade na Vila Nova.

 

Conversando sobre vinhos e degustando os Villa Bari, produzidos pelo Luiz, Danio comentou que um vinho, por mais complexo que seja, precisa de um equilíbrio que o torne fácil de beber. Foi uma conversa muito proveitosa, mas a surpresa estava por vir, foi quando o Luiz abriu uma garrafa de um Amarone della Valpolicella e, diante daquele vinho, disse a eles: posso morrer amanhã, pois nunca havia bebido algo igual.

 

Momentos assim me enchem tanto de alegria, que a vida não faria mais falta se acabasse naquele momento, tal a plenitude do gozo, do prazer. O Luiz me proporcionou esta sensação ao provar o mais famoso Amarone della Valpolicella, nada mais, nada menos, que um Quintarelli, uma das mais puras tradições da região.

 

Fedrigo é um enólogo discípulo de Quintarelli. Antes mesmo de saber o que era um Quintarelli, recordo ter visto este nome numa carta de um mais que centenário restaurante de Milão, a Eu 500, valor raro de ver para um vinho italiano.

 

Graças a Deus, uma dessas sensações de plenitude, a posso sentir com freqüência, é a de ouvir Sema cantar Summertime no último reduto da boemia porto-alegrense, o bar Odeon, mais ainda, acompanhada pelo grandíssimo Plauto Cruz, um dos maiores flautistas que o mundo já viu e ouviu, além da pianista Dionara Schneider e o saxofonista Mário. Não há interpretação igual, nem Billie Holiday. Tino, viva muito para que o Odeon se perpetue!

 

Mas o Luiz não para e, não faz muito, comprou uma propriedade na Toscana, a 35 km de Florença, com vinhedos para a elaboração de Chiati DOC, pasmem, mais em conta que os mais caros lotes do Vale dos Vinhedos. Em breve, quem sabe estaremos provando um Chianti parkerizado, desta feita, não só com o dedo, a mão e algo mais de um brasileiro. Oxalá, os Villa Bari, que recentemente foi campeão numa degustação a cegas no Rio, também chegue lá.



Escrito por Werner Schumacher às 13h11
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A (in)competência do setor vitivinícola nacional

 

Quando se sabe o que se deve fazer e não se faz, ou isto é por burrice, ou para defender os interesses de alguns.

 

Visão 2025 - O setor vitivinícola brasileiro investiu muito tempo e uma verdadeira fortuna para o desenvolvimento de um plano estratégico, que ficou conhecido como Visão 2025. Há mais de dois anos, pelo menos, este plano está engavetado, mas se continua a solicitar verbas do Fundovitis para o mesmo, o que faz lembrar os atos secretos do Senado.

O Visão 2025 nos mostrou o muito que se deveria fazer para tornar o setor competitivo globalmente e, preferentemente, no mercado interno, o quintal da nossa casa, já que as nossas possibilidades externas são limitadas. A análise “Swot” do setor bem demonstra isto. Há um grande hiato entre a teoria e a prática, mas um plano estratégico é uma formidável ferramenta de desenvolvimento econômico e social.

 

Pesquisa - Em Bento Gonçalves está localizado o Centro Nacional de Pesquisa de Uva e Vinho da Embrapa, é um dos mais belos centros e raros são aqueles que tem estrutura similar no mundo, mas este centro está ocioso porque o setor não entendeu ainda a importância da pesquisa para o seu desenvolvimento e pouco o procura para estabelecer parcerias visando a busca de soluções.

Isto é típico de países subdesenvolvidos com baixo nível educacional, mas o Brasil não é mais um país subdesenvolvido, mesmo que tenha algumas características como tal e o próprio desinteresse pela pesquisa é uma clara demonstração disto.

A cada tonelada de uva recebida por uma vinícola australiana, esta é obrigada a doar um dólar australiano para o seu instituto de pesquisa e o governo faz o mesmo, assim, eles tem todos os anos mais de dois milhões de dólares australianos para pesquisa e por isto produzem um dos melhores vinhos do mundo hoje.

Se adotássemos o mesmo critério, teríamos mais de um milhão de reais para pesquisa, isto pensando apenas no vinho, ou seja, sem computar a uva de mesa, mas aqui parece não haver problemas como na Austrália.

 

Formação Profissional - Também, em Bento Gonçalves, está localizado o Instituto Federal do Rio Grande do Sul, com curso técnico e superior de enologia e viticultura, inclusive, com especializações, mas igualmente é pouco utilizado pelo setor, justo aquele que forma os seus recursos humanos. Para não dizer que varredor é obrigado a ter 2º grau para trabalhar, por exemplo, na AMBEV, operador de empilhadeira sim, no entanto, aqui equipamentos muitas vezes mais caros que uma empilhadeira são operados por semi-analfabetos e assim por diante.

Em um mercado globalizado e competitivo como o que vivemos não se consegue sobreviver sem forte investimento em recursos humanos, a menos que este mercado esteja blindado a competitividade, o que não parece ser o nosso caso.

 

Agricultura Familiar - A produção de uvas na Serra Gaúcha se caracteriza pela agricultura familiar e por pequenas propriedades, sendo que em média cada família tem dois hectares de vinhedos e com esta área, seja com cabernet ou isabel, é impossível ter renda suficiente para sustentar uma família.

O desemprego no setor é invisível, isto é, a indústria não precisa demitir, pois mesmo com o avanço dos importados as vendas destas são suficientes para manter um quadro enxuto. Filhos de agricultores estão procurando emprego na cidade, pois a terra não é mais suficiente para o  ganha-pão da família, em outras palavras: o desemprego se dá no campo e, portanto, não visível aos olhos da economia local.

Não há um estudo sócio-econômico que viabilize estas propriedades, aliás, envelhecida, daí a enorme quantidade das que estão a venda e a médio prazo assistiremos provavelmente falta de uva no setor. Um setor que não se preocupa com a sua fonte de matéria-prima não demonstra ser muito competente.

 

Política Econômica (Tributação, Câmbio, etc.) - A carga tributária sobre o vinho brasileiro é uma das mais altas do mundo, senão a maior, gira em torno a 52%, enquanto nos principais países produtores de vinhos do mundo está entre 16 e 20%. Recente estudo aponta que a cotação do Real em relação ao dólar americano deveria ser, no mínimo, o dobro da atual cotação e isto determina o avanço dos importados. Os custos trabalhistas brasileiro e a burocracia instalada neste país são forte ônus para as nossas empresas. Tudo isto e mais um pouco forma aquilo que costumamos chamar de CUSTO BRASIL, que torna pouco competitiva a nossa indústria.

 

Controle Fiscal - Os males do setor parecem não se encontrar – entre outras - nas causas acima, pois eles são fruto da conseqüência do avanço dos importados, do descaminho ou contrabando, da sonegação e da falsificação de produtos. Portanto, eticamente, o “setor” vitivinicola brasileiro solicitou ao governo a adoção do Selo de Controle Fiscal para moralizar o mercado, vejam bem, o mercado.

 

Presidente Lula: Quando na história deste país (e do mundo) o mercado foi moral e ético?

 

A adoção do Selo de Controle Fiscal, entre outras burocracias que estão por vir, poderá resultar na quebra de muitos empreendimentos da agricultura familiar. Seguramente, mais de 500 das 750 (ou 1120) vinícolas do Estado são produtoras de uvas e vinhos, tudo isto porque o custo operacional do uso deste controle poderá chegar até mesmo ao valor do preço mínimo da uva. Vinho é produzido com uva ou Selo Fiscal. A multiplicação deste custo pela própria tributação no mercado, substituições tributárias e tudo mais, tornará o vinho selado pouco competitivo no mercado, abrindo mais ainda espaço para os “DENOREX” (sangria, coquetel, etc.).

 

A maioria dos produtores será penalizada em favor de poucos, não mais de 20 empresas, que realmente tem a maior fatia do mercado, mais de 80%. Isto é motivo de orgulho para qualquer economista neoliberal ver que em um país governado pelo Partido dos Trabalhadores as leis econômicas de mercado são as que valem, pois elas – “aparentemente” – favorecem 20.000 famílias.

 

Ledo engano e assim continuará enquanto a guerra for contra as conseqüências e não contra as causas que realmente provocam os problemas.



Escrito por Werner Schumacher às 18h33
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Como agradar gregos e troianos com câmbio valorizado?

Pelo menos, nos últimos sessenta dias, assistimos uma calorosa discussão sobre a taxa de câmbio apreciada. Cada um argumenta favoravelmente ou não de acordo com os seus interesses e, de um modo geral, todos parecem ter razão.

 

O consumidor está contente, pois os produtos importados estão cotados abaixo dos similares nacionais, bem como, seu salário engordou, afinal, quando alguém imaginou o salário-mínimo por volta dos 300 dólares. Há não muito tempo era meta de qualquer governo fazer este valer 100 dólares. O poder aquisitivo aumentou, inflou na verdade.

 

Isto favorece a importação de vinhos. Na virada de 2008 pra 2009 o dólar estava cotado em R$ 2,34 e para a próxima se estima que fique em R$ 1,70, ou seja, uma garrafa de vinho que no fim do ano passado custasse R$ 15,00, este fim de ano irá valer R$ 10,90 e isto significa dizer que ela está 27,3% mais em conta. Na prática talvez isto não ocorra, pois dificilmente o importador concederá descontos, para ele o que vale é o custo e não a cotação do dólar.

 

Com o dólar em queda livre mundialmente, os preços só são atualizados e, olhe lá, quando de uma nova importação. Como explicar que vinhos vendidos mundialmente a US$ 6,00 a garrafa, aqui são vendidos pelo triplo deste valor. A alta carga tributária é uma explicação, mas não o suficiente para justificar a triplicação.

 

Quem parece estar ganhando é apenas o importador e o consumidor iludido.

 

O setor vinícola brasileiro também poderia tirar vantagens desta apreciação do dólar, já que esta serve para investimentos, isto é, importação de equipamentos, mudas para novos vinhedos, etc. No entanto, é sabida a descapitalização de praticamente todas as empresas brasileiras, com raríssimas exceções, também a falta de financiamentos com prazos, carências e juros competitivos globalmente, além da inexistência de incentivos fiscais.

 

Recordo uma entrevista do dono da churrascaria Fogo de Chão, contava do primeiro financiamento que recebeu nos Estados Unidos: “20 anos para pagar e como garantia a sua real experiência no ramo além de juros de 6% ao ano”. Já a família Pulenta, ex-proprietária da Trapiche/Peñaflor, investiu na implantação de 4 mil hectares de vinhedos em San Juan, Argentina, através da isenção de ICMS, uma espécie de Fundopen de lá. Poder-se-ia enumerar muitos outros exemplos no exterior, que bem demonstram vantagens competitivas.

 

Por outro lado, nossa vitivinicultura precisa urgentemente de uma reestruturação para se tornar mais competitiva, mas carece de investimentos em pesquisa, de educação e formação via extensão rural, bem como, dar condições à agricultura familiar para que esta seja viável economicamente.

 

Em outras palavras, para que um setor seja competitivo globalmente se faz necessário que haja igualdade de competição e isto significa que as normas ou condições de negócios dos países sejam, no mínimo, equilibradas, caso contrário será uma concorrência desleal.

 

Para alguns estas argumentações são próprias de alguém ligado ao setor vinícola nacional, que está puxando a brasa para o seu assado, mas não é difícil de ver que o dólar baixo interessa ao governo, pois o salário-mínimo vale mais e isto interessa politicamente em anos eleitorais, mais, se o dólar estivesse cotado a R$ 1,00 a nossa economia seria a 5ª do mundo e isto infla o ego de qualquer presidente e de seu povo.

 

O setor vinícola brasileiro precisa fazer a sua parte e está se esforçando para isto, alguns resultados são dignos de mérito, mas é preciso que lhe seja dado igualdade de condições para competir, isto feito e se continuarmos a chorar, qualquer que seja o dólar, a tributação, ou o que for, só protecionismo mesmo ao estilo de pinos e tomadas exclusivas para o mercado brasileiro, então veremos garrafas, rolhas, rótulos, etc. exclusivos, sem os quais os vinhos não entrariam no nosso mercado, quem sabe empresas estrangeiras viriam investir aqui para melhor aproveitá-lo.

 

Como podem ver, é difícil agradar gregos e troianos, parece ser difícil encontrar o caminho do meio por consenso, mesmo porque o desenvolvimento de uma nação não é visto regionalmente. Várias regiões do país poderiam ser beneficiadas com uma política vitivinícola, mas isto é outra história.



Escrito por Werner Schumacher às 13h39
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Um outro mundo é possível

O Prêmio Nobel de Economia conferido por primeira vez a uma mulher, Elinor Ostrom, da universidade americana de Indiana, é extremamente positivo e otimista para quem acredita que um outro mundo é possível senão apenas aquele com governos de um lado e empresas de outro.

 

O caminho do meio parece estar vindo para amenizar todos os males deste dualismo de ora livre mercado, ora intervencionismo governamental. Em seus estudos Ostrom demonstra como grupos de pessoas conseguem explorar recursos naturais de forma sustentável, mesmo sem regulação do governo ou privatização.

 

Sua pesquisa desafiou o conceito da "tragédia dos comuns" - segundo a qual bens comuns e o meio ambiente são destruídos porque os indivíduos levam em conta apenas os próprios interesses, sem considerar efeitos negativos de suas ações sobre os outros.

 

Recentemente, Bento Gonçalves viveu duas situações neste sentido. Houvesse desde o princípio uma terceira via no Vale dos Vinhedos – a da integração comunitária - não se chegaria sequer a possibilidade de transformar parte da região em loteamento. Por outro lado, uma comunidade integrada não teve a mesma sorte, pois lamentavelmente o presídio vai ser mesmo construído nos Caminhos de Pedra, pouco importando a questão ambiental, social e cultural.

 

Para isto acontecer, é necessário investir em educação e na formação dos indivíduos de modo a trabalhar juntos, pois desta forma podem construir confiança e respeito e solucionar problemas. “Há muito conhecimento local que deve ser respeitado” – afirmou a pesquisadora.

 

Na prática, a visão da pesquisadora é de desenvolvimento sustentável local ou regional de forma endógena, ou seja, feito pelas pessoas e para as pessoas da comunidade, em contraponto ao desenvolvimento hegemônico caracterizado por investimentos externos, de fora para dentro, com compromisso apenas na escala.


Em entrevista Ostrom disse: “Desde que nós descobrimos que algumas vezes (quanta gentileza) os burocratas não têm as informações corretas, enquanto cidadãos e usuários dos recursos têm, nós esperamos que isso ajude a encorajar um senso de capacidade e de poder". políticas públicas, principalmente ambientais, têm mais resultados quando são baseadas na colaboração entre as partes, e não na simples imposição de regras.

 

Vejam o caso do zoneamento agrícola, elaborado por burocratas de Brasília, proíbe o cultivo em terrenos acidentados, simplesmente as videiras da Serra Gaúcha não existiriam se esta lei estivesse em vigor na época da colonização. Ou os índices de produtividade que querem empurrar goela abaixo, apenas por questões politiqueiras.

 

De acordo com Paul Krugman, Nobel de Economia no ano passado, a nova economia é institucional, ou seja, combina economia, direito, sociologia, ciência política e antropologia para compreender como as instituições (indivíduos, empresas, mercado e grupos) surgem, interagem, mudam e como devem ser reformadas e reguladas.

Não é de hoje também que a Economia Comportamental está em discussão. Gary Becker (1992), George Akerlof (2001) e Daniel Kahneman (2002), já foram premiados por isto, mas a perspectiva de Ostrom é interessante por sustentar que a melhor suposição para explicar o comportamento humano não seria a referida à mera disposição à maximização de ganhos ou utilidades individuais (egoístas), mas sim a de que existem múltiplos tipos de indivíduos ou agentes.

 

Outro mundo é possível, não só aquele de apenas uma empresa dona do mundo, mas para isto é preciso que haja participação e integração.



Escrito por Werner Schumacher às 15h09
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O Capitalismo Comunista

Maravilhoso o texto A Dona do Mundo, de Kledir Ramil, publicado na Zero Hora de hoje, quem puder que leia, mas, em suma, ele diz que as empresas irão de fusão em fusão se concentrando e quando estiver em torno de meia dúzia uma delas comprará todas as outras. Com isto, todos nós seremos empregados desta Dona do Mundo, não haverá mais a necessidade de governos, desemprego, etc., e a propriedade será exclusividade dessa grande corporação, o capitalismo perfeito, o comunista.

 

Este não é um assunto novo, pois é amplamente tratado no livro A Corporação, de Joel Bakan, que inclusive gerou um documentário homônimo. Em suma, o mundo já é comandado pelas grandes corporações.

 

Dizem, também, que apenas 500 pessoas detêm em torno de 80% da riqueza do mundo e, isto se confirmando, as previsões do Kledir não estará longe de vir a ser realidade. Infelizmente, esses números não impressionam, assim como o fato de mais de um bilhão de pessoas passarem fome no mundo, 11 mil crianças morrem ao dia por desnutrição (fome) e o gasto anual dos europeus com perfumes daria para aplacar a fome no mundo.

 

Há não muito tempo também foi publicado o livro Riquistão em que o autor Robert Frank fala de existência de um outro país dentro dos Estados Unidos, aquele dos multimilionários, 10 milhões de famílias que movimentam 30% a mais do PIB americano. Este livro fecha com um “paper” de Ajay Kapur, analista que trabalhava para o Citi, em que fala da "plutonomia", uma palavra que inventou para descrever as economias movidas (e controladas) por uma elite rica, tais como as dos EUA e do Reino Unido.

 

Nos Estados Unidos 1% da população controla quase um quarto da riqueza do país.

 

Michael Moore deve ter lido o livro e talvez tenha de alguma forma lido o "paper", pois parece retratar Kapur como um dos "malvados" em seu mais recente filme, "Capitalism, a love story" (capitalismo, uma história de amor).

 

Na Argentina, no mínimo 18 das 20 de suas maiores vinícolas estão nas mãos de investidores estrangeiros. Donald Hess, proprietário de 4 vinícolas (África do Sul, Argentina, Austrália e Estados Unidos) declarou em 2007, no suplemento Argentina Wine Style, que “o futuro do vinho pertence ás vinícolas boutique, desde que produzam bons vinhos, representativos de seu “terroir”, e os grandes grupos, que produzem vinhos consistentes, fáceis e agradáveis ao consumidor”.

 

Com a compra da Almaden pelo Miolo Wine Group esta onda começa a chegar por aqui e a associação deste grupo nacional com outras empresas, a exemplo da Osborne no nordeste, nos indica que estão no caminho certo, querem ficar do lado das grandes corporações e não há nada de errado nisto, seguem a tendência do mundo dos negócios.

 

Com o andar da carroça as melancias se acomodam, mas até chegar este momento não há outra visão de mundo senão com ceticismo, afinal, a democracia está em jogo, pelo desejo de poder econômico.

 

A Serra Gaúcha tem vocação para vinícolas boutique, mas em um país como o nosso com custos absurdos, tributação elevada e forte burocracia, talvez condicione a existência destas pequenas propriedades a um pequeno número. Os grandes grupos – nacional ou estrangeiro – vão se localizar em outras regiões, mais aptas economicamente para a produção de vinhos fáceis e agradáveis ao consumidor, como bem diz Hess.

 

Finalmente, quando os grandes grupos forem uma meia dúzia de dois ou três, lembraremos do Kledir, não apenas como músico, mas como vidente.



Escrito por Werner Schumacher às 16h13
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Economia punitiva

O pensamento racionalista está presente em todas as ciências e, consequentemente, em nossas vidas e aqueles baseados nos valores econômicos nos afetam em modo especial por serem – na maioria das vezes – punitivos e quando sob a forma de incentivo nem sempre trazem vantagens para o todo.

 

Constatou-se que o açúcar é um dos grandes males da vida moderna pela obesidade coletiva que provoca e o vilão maior é o refrigerante. Esta bebida está sob fogo cruzado em muitos países. Nos Estados Unidos querem aumentar os impostos, na Alemanha está proibida a sua venda nas escolas e bares adjacentes aos estabelecimentos de ensino e assim por diante.

 

O racionalismo, no entanto, geralmente busca o caminho mais simples: Como podemos diminuir o consumo de refrigerantes? Até o momento, talvez as únicas soluções sejam punir o consumidor, quer aumentando os impostos incidentes sobre a bebida ou dificultando o acesso à mesma, como nos países citados entre outros.

 

O curioso é que as bebidas dietéticas não serão tributadas da mesma forma que as açucaradas, mesmo que não se tenha ciência total de seus efeitos colaterais, isto mais parece uma guerra de interesses escusos e quem sempre paga o pato é o consumidor.

 

A obesidade, portanto, deve ser punida e isto faz lembrar uma crônica do Moacyr Scliar, publicada na Folha de São Paulo, em que um obeso nos seus últimos dias de vida tinha apenas como prazer comer, no entanto, a sua comunidade decidiu cobrar uma vez e meia o valor do enterro para obesos. Embora tudo depois se resuma a pó, o espaço inicial é maior e diante das dificuldades financeiras que iria deixar para a esposa, o moribundo decidiu abdicar do seu último prazer para estar elegante pelo menos na hora do enterro.

 

É 8 ou 80, ou seja: ou se come para viver ou se vive para comer, o meio termo parece não existir, neste caso, o comer por prazer. Nem tudo está definitivamente provado, mas são tidos como valores absolutos, vejam o caso dos ovos, dizem até que o Luis Fernando Veríssimo está procurando a quem processar pelos 30 anos que ficou sem comer ovos.

 

Para os doutos racionalistas o caminho é punir, não educar, não incentivar.

 

Aqueles da minha geração e passadas foram criados a base de limonada e refrigerante fazia parte da alimentação apenas em festas e para alguns mais abastados no churrasco do domingo. Vê-se, portanto, que é uma questão de hábito e educação, não tributária. E já se fabricava gordos à época, ta bem da verdade, menos sedentários que os de hoje.

 

É do conhecimento de muitos as estratégias utilizadas por um grande fabricante de refrigerantes para aumentar o consumo. Primeiro, o refrigerante era vendido em garrafas pequenas e criaram uma garrafa média, então quando alguém fazia o pedido o garçom oferecia: uma média? A resposta era sempre sim. Em seguida, vieram às garrafas de 1 litro, 2 litros e há pouco tempo de 3 litros. Em breve será vendido em barril.

 

Tudo é um tanto quanto contraditório, por um lado se incentiva o consumo, basta ver o bombardeio publicitário, para o crescimento da empresa, para gerar mais empregos, para pagar impostos, etc. e depois de constatado o problema (não investimento na educação), a solução é punir o consumidor provocado, motivado e incentivado a beber.

 

O modelo está equivocado, pelo excesso de racionalismo, pelo excesso de normas, pelo excesso de regulamentação das nossas vidas, como se fossemos seres concretos. O modelo vigente parece não se preocupar pela educação humana, não está preocupado com o desenvolvimento do ser humano, parece não considerar o incentivo, pois este só pode vir através da educação e do crescimento pessoal.

 

Quando se incentiva em economia esta ação se dá normalmente de forma ambígua, pois provoca guerra fiscal, etc., em outras palavras, uns ganham outros perdem. Tudo tem que vir de fora para dentro, como o remédio para disfunção erétil, só faz crescer e não desenvolver.



Escrito por Werner Schumacher às 12h48
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Assassinos da natureza

É lastimável a ação do MST na fazenda da fábrica de sucos, pois cometeram – acima de tudo – um crime contra a natureza. O que os milhares de pés de laranja têm a ver com a raiva deles ou a reforma agrária? Estas laranjeiras não terão mais a felicidade de produzir a fruta e muitos litros de suco para a alegria, principalmente, das nossas crianças.

 

É um movimento de sem terra sem alma campesina, um campesino jamais cometeria um crime destes. Isto é alma de quem desmata não só laranjeira, como também araucária, mata atlântica, etc. Não têm a terra em suas almas, como um amigo que lacrimejando me contava hoje haver perdido a produção da próxima vindima por causa da chuva de pedra.

 

Contra São Pedro não se pode fazer nada, nem mesmo homenageá-lo, pois a terra de meu amigo está na colônia que leva o nome do santo. O MST não é São Pedro, muito menos santo.

 

É intolerável a ação do MST, que vem sendo atendido pelos últimos governos e a grande maioria de seus assentamentos são modelos de uma incompetência sem precedentes, jamais visto na história deste país e do mundo em matéria de reforma agrária. Pior, com uma violência impune.

 

Não sou a favor de latifúndio e de tudo o que é grande, mas vou explicar o porquê. O mundo seria melhor se tudo fosse pequeno. “Small is Beautiful” do tio Schumacher, mas isto infelizmente é muito romântico para os nossos dias. O que manda hoje no mundo são os valores econômicos, não aqueles humanos, sendo a economia de escala o que determina a concentração.

 

Os bancos, por exemplo, um compra o outro e vão formando grupos cada vez maiores, demitem empregados, reduzem a estrutura e, consequentemente, custos, mas não baixam as tarifas, os juros, etc. A economia de escala, neste caso, só serve para eles, mas os bancos "latifundiários" não são invadidos.

 

As montadoras, uma compra a outra, mas os preços dos automóveis vão crescendo ano após ano, ora porque é preciso air bag, ora pelo freio ABS, ora por isto, ora por aquilo, enfim, vão criando necessidades e engordando os lucros, mas as montadoras "latifundiárias" também não são invadidas, mesmo que a economia de escala sirva apenas para eles.

 

Dizem que o exército brasileiro possui mais de 200 mil hectares de terra entre o Alegrete e Rosário do Sul aqui no Rio Grande, para treinamento. Talvez não haja mais necessidade desta área, pois com os caças e submarinos que o Brasil está comprando será barbada acabar com qualquer tentativa de ataque argentino ao nosso território. Também, parece que basta abrir as comportas de Itaipu que inundamos os portenhos. Portanto, a necessidade da área para um treinamento em escala de guerra pode ser transformada em assentamento, mas as "latifundiárias" áreas do exército não são invadidas.

 

Dizem, ainda, que a igreja católica tem também grande área de terras, mas parece que eles fizeram acordo com o MST, apoiando o movimento e por isto são preservados.

 

Como economista, e sob a ótica da economia de escala, estranha muito esta bronca com os latifundiários, pois parece ser a única forma de concentração que beneficia o povo, pois ela proporciona diminuição nos preços dos alimentos. Quanto maior a área plantada, mais baixo o custo e a oferta excedendo a demanda os preços caem, mas a revolta é contra os latifundiários, mesmo pequenos, pois parece não haver módulo mínimo, tanto faz o cara ter 2 mil quanto 100 mil hectares.

 

O governo deve lembrar ainda que o modelo adotado, exportação de produtos agrícolas, para pagar a dívida externa, entre outras, foi incentivado, atraiu investidores, que demonstraram ser muito eficientes, afinal a nossa agricultura é uma das maiores e melhores do mundo hoje.

 

O latifúndio é conseqüência e não causa, enquanto o modelo for mantido, continuaremos a ter e a aumentar o contingente de sem terra, a agricultura familiar é candidata potencial, pois é contemplada apenas com financiamento barato, em todos os sentidos da palavra, sem extensão rural, não é a toa que o Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos e, principalmente, sem educação.

 

Sabe-se lá o que vai pra mesa do brasileiro.



Escrito por Werner Schumacher às 14h36
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Sumatra, terremoto e o sagu

Sumatra virou notícia esta semana pelo terrível “tsunami” que passou por lá, mas a primeira vez que esta ilha me chamou a atenção foi ao ler um livro italiano sobre a viagem e vida de Marco Polo. Por volta de 1285 ele passou por lá e talvez este seja o primeiro registro da história sobre o sagu, este mesmo nome dado ao tão apreciado doce aqui da Serra Gaúcha, levando-o para Veneza.

 

Curiosamente, Veneza está no Vêneto, região que mandou muitos emigrantes para o Brasil e lá o sagu, como se conhece aqui, parece não existir. A razão talvez seja o fato de que o sagu levado por Marco Polo era extraído de uma árvore, enquanto o nosso é produto de uma raiz, a mandioca.

 

Dessa feita, o “tsunami” passou é pela minha cabeça, pois não conseguia ligar uma coisa com outra, ou seja, seria o sagu original obtido de uma árvore? Seria o nosso sagu uma falcatrua? Como se perdeu isto na itália e aqui ainda sobrevive?

Para quem acha que isto é perda de tempo, recomendo a leitura do livro Comida, de Felipe Arnesto, onde ele conta toda a história da humanidade através da alimentação.

 

Bem após algumas pesquisas, passando inclusive pela primeira volta ao mundo, descobrimos alguma coisa.

 

Após, Marco Polo, outro registro interessante é o diário da expedição de Fernão de Magalhães, A Primeira Viagem ao Redor do Mundo, sobre o qual Gabriel García Márquez diz: “é um dos livros mais importantes da minha vida”. Esta expedição começou em agosto de 1519, portanto, já há 490 anos. Fernão relatou que ao passar pelo Brasil também encontrou aqui sagu. De onde seguiu, cruzando o estreito que leva o seu nome, para as Filipinas, Indonésia e cia. limitada. Por lá experimentou uma bebida (já provada e documentada por marco Pólo) feita a base de sagu pelos nativos e a bebedeira foi tal que acabou morto juntamente com a sua tripulação.

 

Os nativos da região extraiam um líquido de uma palmeira que ao fermentar produzia esta bebida alcoólica, que os marinheiros de Fernão de Magalhães chamavam de vinho de sagu, afinal, este era o nome da palmeira. Também, produziam desta seiva uma fécula para fazer pães e outros alimentos.

 

O nosso doce é feito igualmente a partir de uma fécula, mas de mandioca, também tem algo a ver com vinho, mas apenas para preparar o nosso tradicional doce. Portanto, a bolinha de sagu não dá em árvore, é um produto industrial, embora muitas vezes alguns acreditam, principalmente, no dia 1º de abril que o sagu é uma frutinha.

 

Enfim, não é a mesma coisa, mas causou, pelo menos na minha cabeça, um terremoto quando li isto na passagem de Marco Pólo por Sumatra, não conseguia estabelecer a relação entre os dois produtos. Algo parecido ocorreu comigo na China, em relação a um apetrecho gaúcho, mas isto é assunto pra outro dia.



Escrito por Werner Schumacher às 13h24
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