Em tempos de 7ª arte e Chico Xavier
Um amigo psicografou o texto abaixo, disse ter sido enviado a mim pelo Mário de Andrade.
O VALIOSO TEMPO DOS MADUROS Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.
Mário de Andrade
Escrito por Werner Schumacher às 11h13
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"Em tempos de CONVOCAÇÃO" Autor: Cristovam Buarque Buscar na Web "Cristovam Buarque"
Quando: 04/05/2010 "O Brasil tem cinco Copas do Mundo, mas nenhum Prêmio Nobel. A falta de preparo e a pobreza são um círculo vicioso"
Categoria: Citação
Escrito por Werner Schumacher às 10h57
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Selo não controlará o contrabando formiga
Quem assistiu ontem (11/05) ao programa da Band, chamado ALIGA, pode muito bem perceber que no momento é impossível coibir o contrabando formiga na fronteira brasileira, principalmente, com o Paraguai. Na alfândega brasileira há apenas oito fiscais controlando a passagem de milhares de pessoas a pé, de moto, enfim, com qualquer meio de locomoção. Provavelmente, não se consegue controlar 5% daquilo que por ali passa. Por outro lado, há diversos pontos de passagem ao longo da margem do rio, com casas e pessoas que servem de apoio para guardar ou esconder a muamba dos policiais federais. É um grave problema social, milhares de pessoas sobrevivem disto. Dificilmente, qualquer governo, tomará uma atitude em relação a isto. 50% do PIB do Paraguai vêm do contrabando, inclusive, armas, drogas, etc. De acordo com alguns amigos, é o preço que estamos pagando pelo que fizemos durante a Guerra do Paraguai. Quem não assistiu, veja o programa no site da Band: http://www.band.com.br/aliga/
Escrito por Werner Schumacher às 08h33
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A vida como ela é...
... é cheia de sacanagem em todos os sentidos, não apenas ao melhor estilo rodriguiano. É a dura realidade, como costumam dizer alguns. Mas o que é a realidade senão a forma de cada um perceber os fatos e que muitas vezes leva a conformidade – é assim e pronto! A realidade é fruto do comportamento das pessoas, portanto, é passível de ser mudada. Não é absoluta. Há alguns dias um leitor anônimo fez um comentário ácido sobre um texto aqui publicado, afirmando que a realidade da Serra Gaúcha não é a de produzir bons vinhos, por causa do clima adverso. Algumas pessoas realmente pensam assim e esta é a realidade deles, baseada exclusivamente nos seus conceitos, como se não houvesse outros possíveis, buscando transparecer que é uma verdade absoluta. Cabe aqui a reprodução de uma piada recebida ontem sobre vermes e cerveja: Um professor de química queria ensinar aos seus alunos do 2º Grau os males causados pelas bebidas alcoólicas e elaborou uma experiência que envolvia um copo com água, outro com cerveja e dois vermes. - 'Agora alunos, atenção'! Observem os 'vermes', disse o professor, colocando um deles dentro da água. A criatura nadou agilmente no copo, como se estivesse feliz brincando. Depois, o mestre colocou o outro verme no segundo copo, contendo cerveja. O bicho se contorceu todo, desesperadamente, como se estivesse louco para sair do líquido e depois afundou como uma pedra, absolutamente morto. Satisfeito com os resultados, o professor perguntou aos alunos: - 'E então, que lição podemos aprender desta experiência?’. - Joãozinho levantou a mão, pedindo para falar, e sabiamente respondeu: - 'Quem bebe cerveja... não tem vermes!' Foi aplaudido de pé!!! Como podem ver, as interpretações podem ser diferentes de acordo com o ponto de vista de cada um, daí a importância da visão paraláxica. Numa safra como esta de 2010 talvez se deva dar razão aos que não acreditam no vinho da Serra Gaúcha, mas em outros países isto também ocorre e algumas empresas são elogiadas por não vinificar em épocas assim. Nenhum daqueles vivo entre nós viveu uma safra como esta. Ressalto que nunca acreditei nesta pretensa inviabilidade da Serra Gaúcha, afinal, com o avanço da tecnologia e da engenhosidade do ser humano, tudo é possível. Sempre me empenhei em demonstrar isto, pois tendo a oportunidade de conhecer muitos países produtores de vinho tanto do velho como do novo mundo, convivido com grandes enólogos e professores de vitivinicultura, tudo isto me dá "razão (algo que não gosto muito) para acreditar (com “emoção”, o que gosto) que é possível um outro caminho. A realidade que se sobrepõem à utopia de muitos está baseada única e exclusivamente em fatores materiais, ou seja, na eficiência da racionalidade econômica, muitas vezes pouco equânime e, portanto, fonte de exclusão social e via de regra desumanos. Os vinhos estrangeiros que criam problemas para a vitivinicultura brasileira são os vinhos baratos, por exemplo, os vinhos argentinos elaborados com a uva crioula, cereja, ou qualquer nome que lhe seja dado. Chega a produzir cem mil quilos por hectare e por apresentar tal rendimento permite a exportação de vinhos a US$ 8,00 a caixa de 12 garrafas, graças a um acordo comercial, pois sequer há a condição de acusá-los de “dumping”. Pior, é quando não muito desses vinhos são apresentados como varietais: Malbec, Cabernet, etc. Outros entram a baixo preço no mercado brasileiro graças a subsídios dados aos agricultores e produtores de outros países. Por outro lado, não são todos os países do mundo que estão com uma moeda tão apreciada quanto à brasileira, sem falar no Custo Brasil, burocracia, etc., que deixam as nossas empresas menos competitivas globalmente. A nossa vitivinicultura não está sendo aniquilada pela sua “não” vocação climática, mas por fatores externos, alheios a sua vontade. É impossível ser competitivo quando não se há igualdade de competição, principalmente, quando não há equidade. Do ponto de vista econômico, a equidade é a justa distribuição da prosperidade econômica entre os membros da sociedade, que se contrapõem a eficiência, onde a propriedade que uma sociedade tem, deve receber o máximo possível pelo uso de seus recursos escassos. Em outras palavras, eficiência se refere ao tamanho do bolo econômico e equidade, à forma em que são distribuídas suas fatias. Quando o governo procura redistribuir a renda dos ricos para os pobres, reduz a recompensa pelo esforço de trabalho, em conseqüência, as pessoas trabalham menos e produzem menos bens e serviços. Esta visão mercantilista é a fonte de inspiração dos realistas. Não seria a falta de oportunidade dos mais pobres em ter acesso à educação, a saúde, a uma boa alimentação, ao mercado de trabalho, etc., que os condicionam a continuar pobres? Ou é porque são preguiçosos mesmo? A vida como ela é ou a dura realidade, não é assim porque interessa a alguns? Um exemplo oportuno: a sociedade não deveria deixar de proteger o meio ambiente só porque as regulamentações ambientais reduzem o padrão de vida material, mas o fazem a ponto do planeta estar ameaçado. Infelizmente, em economia, a eficiência é um resultado objetivo que pode ser julgado de acordo com critérios exclusivamente positivos, a equidade envolve julgamentos normativos que vão além da economia e entram no domínio da filosofia.
Escrito por Werner Schumacher às 11h19
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INFORMATIVO
O MELHOR NEGÓCIO DO MUNDO é comprar um produto pelo preço que vale e vende-lo pelo preço que o comerciante acha que vale. Este parece ser o caso do vinho brasileiro, haja vista reportagem publicada ontem na Folha de São Paulo. O setor fatura R$ 2,5 bilhões por ano, contra R$ 0,9 bilhões dos importados. A venda de vinhos finos brasileiros representa menos de 20% do mercado, contra mais de 80% dos importados. Provavelmente, a informação deve estar equivocada, pois o valor acima deve incluir a venda de espumantes (de maior valor agregado), vinhos de mesa e suco de uva, caso contrário seria um verdadeiro milagre. Isto por que os valores dizem respeito aos preços pagos pelo consumidor. AGRICULTORES FRANCESES protestam invadindo Paris com 1.300 tratores, em função das perdas que vem sofrendo nos últimos anos e contra a futura reforma da Política Agrícola Comum (PAC) da União Europeia (UE). A Federação Nacional de Sindicatos de Explorações Agrícolas (FNSEA) espera reunir 10.000 manifestantes. Deveríamos convidar os franceses a nos ensinar a protestar. Vejam fotos neste link: http://invertia.terra.com.br/galerias/0,,OI121774-EI1805-FI1513681,00.html CHINESES QUEREM MAIS TERRAS NO BRASIL para produzir mais soja e milho no Brasil, a famosa exportação virtual de água e sol. Mais desmatamento a vista e isto não é privilégio chinês, pois vários países estão fazendo isto, mas o assunto é pouco comentado no país. Parece não haver preocupações quanto à ocupação do nosso território. A nossa vocação é necessariamente esta de produzir commodities? VACARIA OU SOJARIA é o que poderá ser os campos das vacarias diante do avanço da agricultura por aquelas bandas, tida como de pecuária pela excelência do seu pasto nativo, que corre o risco de extinção, disse-me um cavaleiro do apocalipse. Para produzir soja, o pasto deve ser retirado, não é assim? MUSEU DO VINHO está no prelo há alguns anos no Vale dos Vinhedos, mas não sai. Havia a possibilidade de um terreno próximo à cidade, mas foi escolhido outro no 8 da Graciema. Em outras palavras, prefere-se um museu exclusivo para o turista e não para o cidadão de bento Gonçalves. Mudou o prefeito e não sei como está vendo o assunto. De qualquer forma, os museus hoje em dia são meios de comunicação e nada melhor para um bem cultural, como é o vinho, uma ação deste tipo. DÓLAR MAIS BAIXO A VISTA em função da reunião do COPOM, pois a taxa SELIC deve ser elevada, para conter a inflação. Talvez suba 0,75% e por isto a cotação do dólar já caiu 1%. Vamos ver para crer, mas juros mais altos, mais dólares entrando no país. Dólar mais baixo: mais turismo em Buenos Aires, que na Serra Gaúcha, é mais barato passar o fim de semana lá, consequentemente, mais vinhos importados e menos vinhos brasileiros. O vinho comprado pelos turistas deverá ser selado também? MINISTRO DA SAÚDE José Temporão sugere a prática de sexo para diminuir a hipertensão, que já afeta quase 25% dos brasileiros, preferentemente, cinco vezes por semana. Se sexo é bom para a saúde, casamento também deveria ser, afinal, não é fácil encontrar cinco parceiras todas as semanas. Já o ministro da saúde italiano recomenda duas taças de vinhos quando se vai a um restaurante, pois este consumo não provoca embriaguez, além de fazer bem, parece estimular também o apetite sexual. A INDÚSTRIA NACIONAL IMPORTA MAIS MÁQUINAS USADAS, pois chegam a ser até 80% mais baratas que as similares nacionais, mas isto pode ser um sinal de sucateamento da nossa indústria. Uma das causas é a cotação apreciada do Real, mas o governo teima em não considerar isto, aliás, sua política econômica parece estar fundamentada apenas nas questões monetárias, como vimos acima em relação ao juro e na questão fiscal, vai IPI, vem IPI, etc. Enquanto reformas não forem tratadas a sério neste país, este pouco avançará e como alerta Dani Rodrik, no jornal Valor Econômico, de 13/04/2010, citando Thomas Watson, fundador da IBM, disse certa vez: "Se você quiser ter êxito, aumente sua taxa de erros". Um governo que não comete erros ao incentivar um setor produtivo é um governo que está cometendo o erro ainda maior de não estar se empenhando com suficiente vigor.
Escrito por Werner Schumacher às 12h05
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Da Terra Prometida à Terra do Jamais
Navegar, para o Beppi, é o que os seus antepassados fizeram quando partiram de vapor no final do século retrasado da Itália e, após quase quarenta dias de viagem, chegaram na sonhada América. Talvez aqui esteja a primeira trapalhada da diplomacia brasileira, pois, segundo especialistas de gabinete, não de picareta, pá e enxada, entregaram lotes de terras em colinas acidentadas e sem a menor vocação para a viticultura. Prometeram a América e entregaram o Brasil.

Pode-se muito bem ver na foto acima que o navegar dos antepassados do Beppi é mesmo bem diferente do navegar de hoje em dia, ou seja, navega-se na internet, que em céu de brigadeiro em poucas horas se navega pelo ar até a Itália e, praticamente, numa dúzia de dias também se está do outro lado navegando pelo Atlântico. Sem falar que, às vezes, esta navegação moderna nada mais é que viajar na maionese. Quando os imigrantes italianos aqui chegaram não havia financiamentos como o Pronaf, o programa Mais Alimenta, também não havia cidades, prefeito, sindicato, Uvibra, Agavi, Ibravin, Câmara Setorial, bem como: boas práticas de fabricação, selo fiscal, normas e burocracias mis, sequer a Igreja aqui estava, apenas encontraram mata, algumas picadas e muita, mas muita esperança mesmo, em construir uma Nova Itália. Pouco a pouco foram cultivando trigo, milho, arroz, criando animais e produzindo tudo aquilo que fosse possível para sobrevivência deles. Alguns menos avisados cultivaram a uva, logo viram que as vides européias não se adaptavam aqui e tiveram que buscar na colônia alemã os cavalos de americanas para poder enxertar aquelas européias e assim poder elaborar o seu vinho. Todo o excedente era levado para a casa de comércio, trocado por mercadorias que não produziam (café, sal, etc.) e o restante virava poupança. Esta poupança futuramente serviu para que as novas gerações adquirissem mais terras, as vezes também em outras bandas e outras foram a origem de muita indústria que hoje existe aqui na região. Mas este sonho parece estar acabando, mesmo que seja digno de mérito e de um grande reconhecimento por parte dos italianos que nos visitam, que se sentem orgulhosos pelo o que os seus conterrâneos fizeram em pouco mais de 100 anos. As pessoas que nestas terras se criaram, estão enraizadas e mesmo que estejam vivendo numa pequena Itália, sentem orgulho de ser brasileiros. Outras pessoas, no entanto, parece que ainda não criaram raízes em solo brasileiro, talvez ainda estejam entre o Ame-o, ou Deixe-o, não sabem para onde vão e para essas pessoas tudo que aqui se faz, JAMAIS será bom, que dirá ótimo. Jamais conseguiremos produzir um presunto como o “prosciutto di Parma”, como é produzido na região de mesmo nome italiana, de onde vem o meu amigo Danio Braga, presidente da Associação Brasileira de Sommelier, mas para os habitantes da Terra do Jamais, jamais teremos um sommelier de nível internacional. Da mesma região de Parma, vem o queijo parmesão, mas jamais conseguiremos produzir um bom queijo tipo parmesão nesta terra. Não temos clima, pasto e solo adequados para a criação de gado leiteiro. Queijos tipo francês, nem se fala, seria uma afronta imaginar isto. Nossa carne da campanha, com gado alimentado por pasto nativo com mais de 200 espécie de gramínias, jamais se equiparará ao suculento entrecote francês. Lembra Czarnobay, aquele que comemos em Bordeaux no ano em que foste homenageado como Enólogo do Ano, mas aqui jamais teremos um bom enólogo, mesmo que tu tenhas sido Vice-Presidente da União Internacional de Enólogos. Nem os mais renomados enólogos do mundo conseguirão fazer milagre nesta terra. Uva & Vinho, mas os caras têm coragem de chamar aquilo de uva e a fermentação do mosto obtido em vinho?
Chocolate igual ao belga, ou ao suíço, que são produzidos preferentemente com cacau de origem venezuelana, jamais. Yalvez seja culpa do Chavez. Quanta pretensão a da cidade de Gramado pleitear ser a capital do chocolate brasileiro. Nossa gastronomia, um fiasco! Resume-se a sopa de capeletti, polenta, massa e galeto. Paulo Geremia e tu que pensava ter o melhor galeto do mundo. Quanto à indústria têxtil, coitados, só lhes sobra mesmo algumas malhazinhas, afinal aqui não há Versace, Armani, Christian Dior e assim por diante. Deus me livre, pois na Terra do Jamais isto tudo nunca acontecerá. Sinceramente, não consigo entender este preconceito de que nada aqui é possível produzir com qualidade aproximada, igual e talvez até melhor do que os produtos reputados internacionalmente. Só resta uma explicação, são pessoas que pensam de modo subdesenvolvido, ou seja, para se sentirem desenvolvidas fazem comparações com o mundo dito desenvolvido e assim alimentam o seu ego portador de complexo de inferioridade, criticando os produtos brasileiros.
Escrito por Werner Schumacher às 15h20
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A diferença entre cultivar e cultuar
Jamais na história deste país e do mundo se teve tanta liberdade de expressão, é blog, orkut, facebook, twitter, etc., um verdadeiro arsenal de oportunidade para dizer o que pensamos ou o que querem que pensemos. De qualquer forma, tudo isto serve para, através da diversidade de opiniões, entendermos melhor o mundo que vivemos e, quem sabe, construirmos assim um mundo melhor, mais humano, digno e justo de ser vivido.
Não faz mais sentido, portanto, o anonimato, e se desta forma é emitida uma opinião, é porque o objetivo é agredir, ofender, etc.
Ontem, recebi um comentário anônimo qualificando como deprimente a análise que fiz sobre o modelo agrícola-industrial da vitivinicultura da Serra Gaúcha e devo concordar com o anônimo, pois é de fato deprimente a forma como este modelo está destruindo o que foi construído arduamente pelos imigrantes italianos que aqui se instalaram.
Defendo-os por reconhecer o seu mérito, pois nada ganho com isto, afinal não sou descendente de italianos
Concordo ainda como o anônimo que a Serra Gaúcha jamais terá o vinho que ele quer, para ele sempre será um vinho medíocre, pois conforme ele mesmo afirmou: “diz-se na Califórnia que para se construir uma pequena fortuna com vinhos, é preciso ter uma grande fortuna”.
Isto nada mais é que cultuar dinheiro, para colher dinheiro. Charles Chaplin, cuja melancolia nos fazia sorrir, quando de sua primeira viagem aos Estados Unidos, creio em 1911, declarou estar surpreso com a pressa e o forte apego ao dinheiro pelo povo americano.
Realmente, um vinho que seja fruto do culto ao dinheiro dificilmente vingará nesta terra e, provavelmente, em qualquer outra região do mundo em que o sistema de condução adotado não seja este, senão o amor a terra, a origem e ao cultivo da videira.
Os imigrantes quando aqui chegaram encontraram mato e algumas picadas, hoje seriam considerados criminosos ambientais, mesmo preservando as matas ciliares, como não são observadas nas margens do arroio Ipiranga em Porto Alegre, ou dos rios Tiete e Pinheiros em São Paulo, etc., cultivaram trigo e tudo quanto necessário para a sobrevivência deles, até uns pés de videira, para produzir o vinho, parte integrante da sua cultura.
Os excedentes produzidos por estes imigrantes é que geraram a renda para formar as cidades que aqui estão, o complexo industrial que hoje existe, isto é histórico, ninguém pode negar.
Na época da imigração, como até hoje, não havia e nem há financiamento barato, como há nos Estados Unidos, juntamente com subsídios, longos prazos de pagamento e como garantia? Apenas o saber fazer. Medíocres são as condições de financiamento e de investimento neste país, que se necessários desde este ponto de partida nos colocam em desvantagem competitiva com o mundo inteiro. Ao contrário de criticar, Sr. Anônimo, que tanto lhe aborrece como aos que lêem o seu comentário, deveria Vossa Senhoria, diante do seu conhecimento internacional, que espero não se resuma apenas à Califórnia, apresentar ou sugerir um plano de realocação de recursos a fim de extinguir a produção de uvas, vinhos, sucos, espumantes, destilados, vinagres, etc. na Serra Gaúcha e assim livrar os brasileiros (pelo menos os maus) deste consumo.
A título de exemplo: poder-se-ia criar um parque temático que chamaríamos de Era uma vez a Imigração Italiana. Também, Vossa Senhoria poderia solicitar recursos ao governo italiano para repatriar os descendentes dos imigrantes, afinal, seria melhor para eles diante da diversidade de raças que para lá estão indo. Só em Montalcino há mais de 40 raças diferentes atuando em trabalhos temporários.
Outra possibilidade seria o reflorestamento da “Mata Atlântica” da Serra Gaúcha e os proprietários das terras poderiam ser indenizados por isto. Aqueles que queiram poderiam passar por cursos profissionalizantes para virarem operários nas fábricas das indústrias moveleira, metalúrgica, cutelaria, calçadista, têxtil e malharia, etc. e tal.
Realmente, Sr. Anônimo, se nada for feito, continuaremos a não ser competitivos com muitos vinhos Malbec que entram no país, boa parte produzidos com uva Criolla, rendendo até 100 t por hectare, ainda, alguns reservados produzidos com uva Surtanina. Vinhos que entram no país a menos de US$ 1,00 a garrafa, provavelmente, símbolos da viticultura e enologia de excelência destes países. Com certeza, lá fora há clima e solo para cultuar, aqui não. Abra$$o e grato por seu comentário con$$trutivo.
Escrito por Werner Schumacher às 08h45
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Prováveis causas que limitam a vitivinicultura brasileira - I
O modelo que está aí A Serra Gaúcha é responsável por 90% ou mais da produção nacional de vinhos e nesta região está à origem de toda a crise da cadeia produtiva uva e vinho, mas não pode recair sobre ela a culpa, mas sim ao modelo por ela adotado nas últimas décadas. Uva não é “commodity”, não é soja nem milho O modelo agroindustrial, utilizado pela cadeia produtiva da uva e do vinho da Serra Gaúcha, está baseado no fato de que a uva é considerada uma “commodity”, literalmente significa mercadoria em inglês, no caso um produto primário em estado bruto que precisa ser processado por uma indústria a fim de se transformar em um bem de consumo. Os preços, em geral, acabam sendo ditados por cotações de mercado. Exemplo típico: soja e óleo de soja. Modelo provoca descompensações sócio-econômicas Salvo raras exceções, este modelo é a causa de enormes descompensações sócio-econômicas geradas pela industrialização, ou seja, a produção agrícola é explorada pela indústria, criando dificuldades para a sobrevivência no meio rural. A existência de preço mínimo é prova Prova maior de que a uva é considerada uma “commodity”, como a soja, o milho, etc., é o fato de que governos vêm há anos intervindo no mercado através da política de preço mínimo, sem, no entanto alcançar resultados satisfatórios, pelo menos para o produtor rural, pois a fixação do mesmo necessariamente leva em conta os preços cujas cotações são ditadas pelo mercado. Tudo isto se agrava nos dias de hoje, diante de um mercado globalizado. Economia de escala não é parâmetro pra regiões montanhosas O modelo utilizado na Serra Gaúcha segue o que determina alguns dogmas econômicos, tidos como verdades absolutas, como a economia de escala, ou seja, produzir mais e melhor com um custo menor, é inviável para a nossa agricultura familiar, caracterizada por propriedades pequenas em zona de montanha e com a necessidade de mais horas de trabalho que as zonas de planície. Indústria protegida por barreiras alfandegárias Este modelo funcionou por determinado tempo, pois a indústria brasileira estava protegida da concorrência internacional por barreiras alfandegárias, pagava-se elevados impostos de importação e as cotações das principais moedas estrangeiras estavam sempre elevadas para os bolsos dos importadores, mais ainda para o consumidor. Escancararam as nossas portas Isto começou a mudar a partir do Governo Collor, que queria substituir as carroças aqui fabricadas por automóveis mais modernos, exceto o período com o seu sucessor com o “fuscamar”, tendo continuidade no Governo Cardoso e segue a mesma linha no Governo Lula, que parece nada pode fazer para amenizar o escancarar dos nossos portos para o estrangeiro e assim dar condições para a nossa indústria se preparar para concorrer no mundo globalizado. Política Monetária e Fiscal são priorizadas em detrimento daquela Industrial Por outro lado, a política econômica vigente nos governos Cardoso e Lula está direcionada, principalmente, para questões fiscais e monetárias, não havendo nenhuma sinalização com uma política industrial, de forma a se poder concorrer em igualdade com os estrangeiros. Não há qualquer possibilidade de uma indústria ser competitiva globalmente com a carga tributária praticada no país, com os custos trabalhistas exigidos, com as taxa de juro real aplicada, com uma burocracia exuberante e com uma cotação da nossa moeda extremamente apreciada. Talvez continue assim até a próxima Copa do Mundo Persistindo a polarização da política brasileira isto continuará assim pelo menos até a realização da próxima copa aqui no Brasil. Portanto, não é mais possível pensar e praticar este modelo agroindustrial que vem demonstrando estar esgotado e que culminará com o apequenamento da vitivinicultura da Serra Gaúcha. Seguindo assim, um dia será lembrada como a região pioneira na produção de uvas e vinhos, então a ex-maior responsável por mais de 90% da produção do país. Vitivinicultura se deslocará para outras regiões É um modelo válido para outras regiões do Estado e do país. Para muitos países do novo mundo, mas não para a Serra Gaúcha e regiões similares da Europa. Razão pelas quais muitas empresas estão descendo a montanha. Atacar as causas e não as conseqüências Estas são as verdadeiras causas que impõem grandes dificuldades para a nossa cadeia produtiva da uva e do vinho e as soluções que dizem encontrar com a adoção do selo fiscal para vinho, as são apenas para as conseqüências destas causas. É oportuno o momento para a sustentabilidade da nossa vitivinicultura Portanto, o momento é muito oportuno para reflexão diante da exigência cada vez maior de se assegurar sustentabilidade para o setor vitivinícola, através do desenvolvimento do território, da sua requalificação e da recuperação dos valores de identidade que o vinho exprime, isto é atual e deve ser compartilhado. Escala é pra carro e gaita A economia de escala começou a ser detalhada e definida com Henry Ford, com a criação da linha de montagem do Ford modelo T, um produto industrial. Há pouco mais de uma ou duas décadas, estudos começaram a decretar o fim da economia de escala principalmente para produtos de origem agrícola e passaram a sugerir a economia de escopo, ou seja, os estudiosos apontam para um modelo mais flexível em que às pessoas não são apenas seduzidas pela qualidade, mas demandam qualidade e, consequentemente, a origem dos alimentos. Valorização regional é um dos caminhos O Vale dos Vinhedos foi um modelo que começou apontando este caminho e se tornou exemplo não apenas para região, como para outras áreas do país, inclusive, em outros produtos. Deve-se ressaltar ainda que o Vale surgiu dentro de um período de abandono da região por muitas multinacionais e pelo vácuo deixado pela crise da cooperativa Aurora, mas isto não tira o seu mérito, antes pelo contrário, o valoriza. Não basta ser mais um, hoje há mais de 1000 cantinas no país Por imitação, ou inveja, como preferem dizer alguns, outras regiões de origem surgiram e também muitas vinícolas. No próprio Vale, quando começou há 15 anos havia 6 vinícolas, hoje somam aproximadamente 40 estabelecimentos. Isto contribuiu para se ter a falsa idéia de que a cadeia estava se arranjando, mas logo se viu, por seguir o mesmo modelo, que se presenciava uma diluição do parque fabril e ao mesmo tempo uma concentração empresarial, haja vista que hoje 80% da comercialização de vinhos finos está nas mãos de apenas 3 empresas. Produtos de montanha são mais valorizados Provavelmente, não há região montanhosa no mundo produtora de vinhos que a uva seja considerada uma “commodity”. Estas regiões, na Europa, há pelo menos 20 anos estão unidas e são financiadas com recursos da Unesco e em forma associativa revitalizaram a sua vitivinicultura. Este alerta foi dado na região há 14 anos e vários presidentes da OIV, que por aqui passaram, chamaram a atenção para este aspecto, mas nada se fez, preferiu-se seguir o modelo que vem demonstrando estar, no mínimo, esgotado. Mas Tchê, qual produto tu preferes? Perguntem a um porto-alegrense: qual mel tu preferes, aquele cuja origem é da Serra ou aquele do Litoral? Provavelmente a escolha recairá sobre o produto serrano. Ainda qual picanha prefere para o teu churrasco de domingo, aquela vinda da campanha, do Poncho Verde, ou aquela de gado confinado na serra? Provavelmente a escolha recairá sobre a carne da campanha. Atributo inculcado na cabeça das pessoas Cada produto traz consigo um atributo talvez previamente já percebido pelos consumidores, principalmente, aqueles urbanos e a Serra Gaúcha carrega consigo este apelo, que, infelizmente, não é bem explorado por nós.
Escrito por Werner Schumacher às 10h02
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Prováveis causas que limitam a vitivinicultura brasileira - II
Não valorizamos suficientemente a Serra Gaúcha A Serra Gaúcha, não é suficientemente valorizada como origem pelos próprios serranos. Talvez a origem disto possa ser atribuída ao fato de que por muito tempo o colono foi considerado retrogrado, pois o seu saber fazer estava distante da modernidade da adubação e da aplicação de agrotóxicos, hoje sabidamente prejudiciais à causa da sustentabilidade. Uva e Vinho, Rainha e Rei da agricultura A uva e o vinho são os produtos de origem agrícola que alcançam maior prestígio entre todos. O vinho é um produto complexo, pode até ter um processo de elaboração “artificial” e tecnológico, mas é, sobretudo, um produto agrícola, vinculado a uma multiplicidade de variáveis: agronômica, territorial, antrópica (fruto da ação do homem), histórica e temporal. Tal complexidade, com a qual os produtores convivem, reclama uma postura produtiva holística, ou bem considerar o todo em relação a cada parte, a totalidade do ecosistema vinho em relação à individualidade que o compõe, como bem diz o italiano Paolo Camozzi. O mundo será de produtos comprometidos com o meio ambiente A parte a questão valorização regional, através dos produtos de montanha, há também a questão local e do seu desenvolvimento sustentável. Em pouco tempo a mola propulsora de uma economia não será mais o mercado e o seu consumismo desenfreado, que exige a economia de escala, mas será o ambiente que determinará o que será consumido. Produção local Não é admissível que caminhões percorram milhares de quilômetros – outro problema que afeta a indústria, a falta de boas rodovias, ferrovias e hidrovias para o escoamento da produção – para trazer um produto que poderia ser produzido localmente. Os produtores rurais poderiam muito bem complementar sua atividade com outras culturas e abastecer o mercado regional. Desenvolvimento local gerou a riqueza desta região Nunca é demais lembrar que o desenvolvimento desta região se deve e muito a agricultura forte que teve, cujos excedentes geraram recursos para investir no moderno parque industrial hoje existente. Um cacho de uva ativa 18 outros negócios Como expresso anteriormente, um cacho de uva pode ativar 18 outras atividades e isto é que deve ser estudado e compreendido, juntamente com a questão sustentabilidade. Enoturismo e agroindústrias O Turismo Rural é fonte de inúmeras alternativas de atividades econômicas para a região, mas instalar uma pequena vinícola, uma agroindústria, etc. é um verdadeiro parto nesta região, não apenas pelas exigências ambientais, higiênicas e burocráticas. É preciso simplificar isto. Por um mundo sustentável A questão sustentabilidade não é tarefa fácil e requer a participação de todos os agentes. Clones devem ser estudados para uma melhor adaptação das vides européias no nosso meio, mas pouco se está fazendo neste sentido, parece haver apenas um único projeto de uma empresa com a Embrapa. Sucos e produtos orgânicos Formas de produção orgânica têm dado bons resultados com as vides americanas e a demanda por estes produtos é maior do que a oferta. Muito suco orgânico poderia ser produzido por pequenas agroindústrias. O mercado de sucos vem crescendo em média 40% nos últimos anos. Rumo a uma maior produção de espumantes A Serra Gaúcha é responsável igualmente pela praticamente toda a produção brasileira de espumantes, hoje reconhecidos como uns dos melhores do mundo, mas com aproximadamente 15 milhões de garrafa ano estamos longe dos maiores produtores mundiais. O aumento médio anual da produção de espumantes no Brasil é de 15%, em aproximadamente 20 anos poderíamos estar no mesmo patamar de produção que estão hoje os grandes fabricantes, notem bem, apenas com o mercado interno. Alternativas há e muitas, falta é vontade de mudar, por acomodação Alternativas há, mas tudo dependerá de se sair do modelo agroindustrial que hoje impera para um outro caminho, que seja mais justo econômica e socialmente. O que aqui se aponta não são soluções pragmáticas de curto prazo, como gostam os empresários, mas nada será mudado sem um simples olhar do passado, para entender o presente e sem uma visão de futuro, que possa nos apontar melhores caminhos. Aceitemos o Selo, mas aquele da qualidade de vida humana, social, cultural, ambiental e econômica da Serra Gaúcha, não apenas um instrumento fiscal. Sejamos comprometidos com a Serra Gaúcha.
Escrito por Werner Schumacher às 10h00
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A questão do selo fiscal em dez capítulos
Na melhor idade acabei descobrindo certa vocação política, mas não é aqui o fórum para manifestações neste sentido, no entanto, quando um assunto eminentemente técnico é remetido para a esfera política, não há como deixá-lo de fazer. Vou procurar me ater exclusivamente naquilo que eu penso sobre a adoção do selo fiscal pra vinho e com base naquilo que eu presenciei tentando combatê-lo, por entender que não é um mal necessário. Também, pelas últimas entrevistas e declarações relacionadas ao assunto. Dividi o texto em dez capítulos para facilitar a compreensão do problema: 01 - O que é de fato o selo fiscal? 02 – Entidades que há 5 anos lutam pelo selo fiscal? 03 – Um aparte as cooperativas. 04 - Como de fato o selo fiscal foi aprovado? 05 - Talvez a substituição tributária também foi pedida por estas entidades. 06 - Poderá o selo fiscal coibir o descaminho? 07 - Só se voltarem os fiscais do Sarney? 08 - O que há de igual entre o vinho e a cachaça? 09 - O selo fiscal é o remédio indicado para todos os males da cadeia produtiva da uva e do vinho? 10 – Custo Brasil segundo Lula e Mantega Epílogo Espero que esta seja a minha última manifestação neste sentido, pois corações estão sendo selados em nome de uma mera vantagem econômica e desejo poder me dedicar ao estudo e busca de alternativas e soluções para a nossa agricultura familiar, que graças a Deus estão em bom andamento e caminho.
Escrito por Werner Schumacher às 11h56
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O que é de fato o selo fiscal?
Apenas um instrumento de controle fiscal, que desejam alguns incorpore funções acessórias como de controle do descaminho, de qualidade, de competitividade, etc. Nenhum selo fiscal atesta a qualidade e a pureza de um vinho, apenas informa que o imposto referende ao produto selado foi ou será recolhido e, portanto, satisfaz – única e exclusivamente – a legislação tributária. A qualidade e pureza de um vinho são atendidas toda vez que o produto é engarrafado, caso isto não seja observado, não estará dentro das especificações determinadas pelas normas do Ministério da Agricultura e, em caso de dúvidas, somente uma fiscalização poderá garantir que o produto contido em determinada garrafa tem qualidade e pureza suficiente. O selo fiscal não substitui o trabalho de fiscalização por parte dos técnicos da pasta agrícola. Dizer que o selo fiscal garantirá qualidade é induzir o consumidor a erro, é mascarar uma realidade. Isto só poderá ser verdade o dia que criarem um selo cibernético dotado de sensores capazes de ultrapassar a cápsula e a rolha de cortiça, penetrar no líquido contido na garrafa e analisá-lo, transmitindo os dados analíticos obtidos para os computadores do Ministério da Agricultura, estes então acionarão um sistema de alarme que avisará imediatamente os técnicos responsáveis pela fiscalização, que por GPS irão autuar a empresa fraudadora do produto, mas parece que isto ainda está muito longe de acontecer. Tampouco é um selo que garantirá a origem do produto, ou seja, onde ele foi produzido. Na Itália, foi formado um banco de dados com informações sobre vinhos de todas as regiões. Mesmo assim, há não pouco tempo, assistimos a escândalos colocando em dúvida a origem de alguns produtos. A título de exemplo: a água de origem vegetal contida num vinho caracteriza a sua região de origem e se esta difere daquela declarada, significa que o vinho foi adulterado, no sentido de ser cortado (misturado) com outro de procedência diferente. Aqui no Brasil não está formado ainda este banco de dados, portanto, não há este controle, como de resto na maioria dos demais produtores de vinho do mundo. Para que se entenda melhor o que é selo de qualidade, basta nos dirigirmos ao Vale dos Vinhedos, que utiliza um selo neste sentido para os vinhos elaborados com uvas produzidas na região, que passam por um rigoroso controle analítico e organoléptico, portanto, se aprovados ficam autorizados a usar o selo de qualidade e de indicação de procedência (origem) Vale dos Vinhedos. Mais difícil de entender, no entanto, é como o selo fiscal poderá ser também um instrumento de competitividade, principalmente, em relação aos produtos importados, haja vista que a maioria das importações é de produtos que custam aproximadamente R$ 1,70 a garrafa no exterior e aqui são vendidos a R$ 6,00. A maior parte do vinho produzido no Brasil é proveniente da Serra Gaúcha, onde cada produtor de uva tem em média 2 hectares de vinhedos, cujo trabalho em zona montanhosa requer 10 vez mais horas de trabalho, contra outras regiões de planície aqui mesmo no Brasil, onde é possível, inclusive, mecanizar a colheita da própria uva. Que falar então, de vinhos oriundos de países em que o produtor ter 1000 hectares de vinhedos é lugar comum. Não acreditamos que seja esta indústria tão diluída, em que menos de 1,5% produzem 500 mil litros por ano, todos os demais estão acima deste patamar, é que estão tirando a competitividade das grandes empresas. Sabemos que 1% é uma parcela importante do mercado, afinal, há alguns anos um presidente de uma multinacional fabricante de refrigerantes foi demitido porque havia a empresa perdido 1% do mercado para a concorrente. Apenas um detalhe, este 1% perdido é muito mais do que toda a produção vinícola brasileira. Parece, no entanto, que o mercado de vinhos está sendo tomado por produtos estrangeiros. Para tornar os nossos produtos mais competitivos, tudo parece indicar que o selo fiscal irá resolver os verdadeiros problemas da indústria nacional, a saber: alta carga tributária, excesso de impostos e conseqüente burocracia, juros altíssimos seja para investimento como para capital de giro, custo trabalhista elevadíssimo, política cambial desfavorável para exportações e favorável a importações, infra-estrutura com estradas maravilhosas para escoamento da produção e assim por diante. Diante deste importante avanço, produto mais competitivo no mercado, provavelmente ocorrerá uma avalanche de multinacionais retornando a se instalarem no país para aproveitar o nosso potente mercado, pois não será mais conveniente produzir vinhos no estrangeiro e exportá-los para cá. Devemos felicitar os líderes desta iniciativa, pois o selo fiscal será ao mesmo tempo um instrumento fiscal, de qualidade e competitividade, também um instrumento de políticas industrial, monetária, fiscal, cambial e tantas outras que os mesmos entenderem que ele possa abarcar. Seria um verdadeiro milagre econômico.
Escrito por Werner Schumacher às 11h54
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Entidades que há 5 anos lutam pelo selo fiscal
O movimento do setor vitivinícola brasileiro em prol do selo fiscal começou há 5 anos, de acordo com declarações de líderes empresariais em coletiva dada na sede do Ibravin. Há cinco anos, pode-se afirmar com certeza, que não havia metade das empresas vinícolas hoje existentes no Rio Grande do Sul e tampouco o enoturismo era tão desenvolvido como hoje. O Vale dos Vinhedos foi à mola propulsora de muitas outras regiões que surgiram para valorizar os produtos e a cultura da sua região, o seu modo de saber fazer, a sua gastronomia, a sua paisagem e os seus encantos. O enoturismo e a dificuldade do produtor em entregar a sua colheita e, quando não muito, receber o produto da mesma, fez com que muitos destes optassem por colocar uma cantina. No início do Vale dos Vinhedos eram 6 as vinícolas que existiam, hoje, praticamente 15 anos depois, são perto de 40 estabelecimentos. O mesmo fenômeno ocorreu em Caxias do Sul, em Flores da Cunha e Garibaldi, bem como em outras regiões do Estado e do país. A maioria destas empresas não estão LEGITIMAMENTE representadas nas entidades que lutam pela exigência do selo fiscal, senão vejamos: - parece que a única entidade de atuação regional que participa da Câmara Setorial é a Aprovale, talvez tenha sido convidada por conveniência para a aprovação do selo, todas as demais; Aprobelo, Aviga, Apromontes, Afavin, Asprovinho, CPEG, Revinsul, Uvifam e as Rotas de Vinho, não tem lugar no órgão; - embora haja conselhos consultivo e deliberativo no Ibravin, o voto é dado pela Agavi, Fecovinho e Uvibra, além do Governo e dos trabalhadores rurais via sindicato, portanto, poucas empresas estão associadas a estas entidades e, consequentemente, não tomaram conhecimento do debate sobre o selo fiscal. Somando as empresas associadas a estas três entidades, não representam talvez mais do que 100 empresas. Que representatividade é esta? - o Sindivinho, sindicato que congrega todas as indústrias vinícolas do Estado, até prova em contrário, não realizou nenhuma assembléia para discutir o assunto. Cabe aqui ressaltar que se é “sócio” do sindicato por contribuição COMPULSÓRIA e não por livre e espontânea vontade. Por muito tempo serviu apenas para tratar as questões de negociações salariais e do preço mínimo. Números oficiosos apontam que há no Brasil aproximadamente 1200 vinícolas, pouco mais de 700 no Rio Grande do Sul e o restante, principalmente, nos estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Pernambuco. Parece que só falta alguém produzindo vinho no Amazonas. A totalidade das empresas de Santa Catarina é contrária ao selo fiscal e o número de estabelecimentos deve estar próximo a uma centena, similar ao total das 3 entidades citadas. Alegam, também a representatividade dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, mas estes não são obrigados a selar a uva. De qualquer forma, das 15 ou 20 mil famílias envolvidas na produção de uva, nem um terço destas estão ligadas as 3 entidades acima citadas, as demais ou elaboram o próprio vinho, ou vendem a fruta para as vinícolas familiares, ou a vendem para consumo in natura. O Enoturismo, pequenas agroindústrias, pousadas e restaurantes associadas à produção de vinho são a principal alternativa para a agricultura familiar da Serra Gaúcha, que se caracteriza por pequenas propriedades, cuja escala de produção não pode se otimizar a luz da economia, portanto, precisa se dedicar a produtos diferenciados, que carreguem consigo a imagem de produtos de montanha, mais saudáveis e protetores do meio ambiente. A decisão destes líderes favorecerá o crescimento da vitivinicultura em outras regiões que não a Serra Gaúcha, aliás, muitas dessas empresas já estão descendo a montanha, ou indo pra outros estados e até mesmo para o exterior. Isto é uma clara demonstração de que não há comprometimento com a nossa região e a sua agricultura familiar, diga-se de passagem, a verdadeira responsável pela riqueza desta região.
Escrito por Werner Schumacher às 11h52
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Um aparte as Cooperativas
Merece destaque ainda a declaração de um dos dirigentes das cooperativas, que acusou as pequenas vinícolas familiares de estarem do lado dos importadores e, por tabela, contra o vinho nacional, bem como deveriam os produtores familiar seguir o exemplo das cooperativas que estão se unindo. Em primeiro lugar, deve ficar claro que praticamente todas as cooperativas vinícolas do estado sofrem da falta de capital de giro e para pagar a colheita aos produtores associados necessitam recorrer a financiamentos do governo, portanto, ficam forçadas a pagar o preço mínimo da uva. Isto coloca as cooperativas em desvantagem competitiva no mercado, já que muitas empresas privadas pagam o preço que querem e como querem a uva aos produtores, representando então para estes uma vantagem competitiva, pois não precisam recorrer a financiamentos do governo e o produtor de uva com medo de não colocar a sua produção aceita qualquer negócio. Por outro lado, as cooperativas, ano após ano, vêm perdendo representatividade no mercado brasileiro de vinhos, pois entra ano e sai ano estão constantemente em crise, o que tem afastado muitos produtores das mesmas. As cooperativas já representaram mais de 60% do mercado, hoje talvez não chegue a 25%. A seguir este passo, as cooperativas irão desaparecer, não apenas pela selvageria do mercado, mas por elas mesmo, uma vez que o espírito cooperativo não está praticamente em nenhuma delas, funcionam como empresas, cooperativas de fachada. Portanto, em tempos de fusão, nada melhor que se fusionar e acelerar um processo que deverá culminar com a existência de no máximo duas cooperativas vinícolas na Serra Gaúcha, a tendência é: aquelas que não se unirem, desaparecerão. Um bom desafio é experimentar formar uma nova cooperativa vinícola na Serra Gaúcha, exceto se o objetivo for à produção orgânica, nenhuma outra surgirá, pois criaram a própria fama das cooperativas. O problema da maior parte das cooperativas é que elas estão voltadas para produtos de consumo de massa e não para produtos diferenciados como a região requer. Também, não se preocupam em procurar alternativas de culturas que não apenas a uva. Poderiam fomentar pequenas agroindústrias entre os seus produtores associados e comercializar esta produção. Estariam assim contribuindo para a melhor qualidade de vida dos seus associados e ajudando a manter estas famílias no campo, evitando o êxodo rural e muitas outras conseqüências indesejáveis. É fácil acusar os outros para justificar os próprios problemas. As pequenas vinícolas familiares estão se unindo em torno da qualidade, talvez até de um selo que certifique isto, mas, sobretudo, para a sua sustentabilidade e viabilidade, mas nunca para destruir ninguém, como parecem querer aqueles desejosos do selo fiscal.
Escrito por Werner Schumacher às 11h49
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Como de fato o selo fiscal foi aprovado?
O selo fiscal foi aprovado na Câmara Setorial da Uva e do Vinho, e a solicitação por esta encaminhada ao governo. A Câmara é um órgão dentro do Ministério da Agricultura e o único canal de comunicação entre o governo e o setor. Inúmeras entidades fazem parte da Câmara Setorial, até o Sebrae e outras cujas razões poucos ou ninguém sabe explicar, mas é democrática, pois até as empresas importadoras de vinho participam. Grande parte das entidades, principalmente, as de atuação regional, que surgiram nos últimos anos não tem participação na mesma, portanto, não estão sendo representadas e o governo entende que o Ibravin, a Agavi, a Uvibra, a Fecovinho e o Sindivinho-RS representam as mesmas, mas isto já foi questionado anteriormente. Na reunião da Câmara Setorial que aprovou o selo fiscal, diz-se que 14 entidades foram a favor e que somente os importadores foram contra. É importante ressaltar que a metade dessas entidades no mínimo votou a favor com restrições, ou seja, aceitavam o selo se o governo diminuísse impostos, que fosse aplicado por um período experimental de dois anos e assim por diante, portanto, são favoráveis ao selo sob determinadas condições, que provavelmente não serão atendidas. Duas entidades retiraram o seu voto favorável, uma se posicionou contra ao selo para acompanhar as demais entidades do seu Estado contrárias ao selo e a outra se absteve de votar, pois é uma entidade de profissionais que não lida com questões de ordem financeira, ou tributária, das empresas. Por outro lado, alegam que a maioria é favorável ao selo fiscal, mas esta maioria não deve ser atribuída pelo maior número de empresas, pois não há um abaixo-assinado a favor relacionando as mesmas, como há no caso dos contrários ao selo com mais de 200 assinaturas. Esta maioria se dá única e exclusivamente pelo volume de produção das empresas, ou melhor, pelos impostos arrecadados, percebendo-se então o quanto estão engajados na economia das corporações, onde o ser humano é apenas um número, que deve servir a este sistema econômico gerido e governado pelas grandes empresas, passando por cima inclusive de governos eleitos democraticamente, pela maioria da população. O “lobby” praticado por estas entidades e empresas é uma clara demonstração do seu poder econômico, pois as pequenas empresas não têm este poder, aliás, muito bem alertado por um político, que há poucos dias havia sido visitado pelos poderosos. Não se esperava este comportamento de um governo comandado por um partido que se diz representante dos trabalhadores.
Escrito por Werner Schumacher às 11h46
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Poderá o selo fiscal coibir o descaminho?
Ou descaminho, como preferem dizer os técnicos ocorre, principalmente, pela fronteira seca que vai do Rio Grande do Sul ao Mato Grosso, com uma extensão de 6 mil quilômetros. Jamais, na história deste país, se viu, ouviu, ou se leu qualquer notícia de apreensão de uma carga de vinhos em caminhão ou carreta entrando ilegalmente no território nacional. Tudo indica que o descaminho se dá pelo chamado contrabando formiga, realizado por vendedores ambulantes deste país, que encontram nesta atividade informal uma alternativa de sobrevivência, já que o mercado ou a economia formal parece não lhe dá outra solução senão a informalidade. Já demonstramos empiricamente que o falecido Zé Formiga e seus colegas camelôs podem introduzir facilmente mais de 20 milhões de garrafas de vinho no país, pois buscando uma vez por semana apenas 12 caixas de 12 garrafas e vinho, é possível cruzar a fronteira quase 7000 garrafas por ano, portanto, nem 3000 camelôs seriam responsáveis por este volume. Outra forma de descaminho pode se dar nos portos, no entanto, para citar apenas o de Santos, o mais movimentado do país e conta com vários aparelhos de raio x que detectam a carga sem necessidade de inspeção física, mais de 90% das apreensões são de produtos oriundos da China e, embora este já seja o 6 maior produtor do mundo, nenhuma carga de vinho foi apreendida. É comum vermos, ouvirmos e assistirmos notícias de apreensão de cigarros. Um em cada três cigarros consumidos no Brasil é fruto da entrada ilegal no país, representando bilhões não arrecadados em impostos e, mesmo com selo fiscal, parece resistir e não diminui. O que alguns líderes do setor vitivinícola denominam de importação ilegal, são aquelas realizadas no Estado do Espírito Santo, que segundo declarações de técnico da Secretaria da Fazenda gaúcha, os benefícios fiscais concedidos podem representar uma tarifação de apenas 3% na importação de vinhos. Quantas empresas importadoras de vinhos lá estão instaladas? Praticamente todas, e algumas outras estão em áreas similares que concedem os mesmos benefícios. Raras são as empresas que não se valem destes benefícios. Por outro lado, qual seria o motivo de uma empresa praticar o descaminho quando se é possível comprar vinho a US$ 1,00 ou menos a garrafa. A grande maioria dos vinhos que entra no país é de vinhos baratos, importados, principalmente, pelas grandes redes de supermercado. As vinícolas produtoras destes vinhos não terão a menor dificuldade em selar as garrafas de vinho
PS: Dizem que até leite da Nova Zelândia está entrando pelas fronteiras do Brasil com os países do Mercosul.
Escrito por Werner Schumacher às 11h42
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